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Testamos o Volvo XC40 por uma semana, veja quais foram as nossas percepções sobre esse modelo.

A eletrificação é um caminho sem volta e isso não é exclusividade do mercado brasileiro. Aliás, essa tendência começou no exterior e ganhou muita força nos últimos anos, apoiada em leis que visam proibir, a longo prazo, a fabricação e circulação de veículos com motores a combustão. 

O problema é que não dá para simplesmente abandonar os queimadores de combustível e encher as garagens de carros elétricos. Apesar do crescimento constante, essa é uma tecnologia que ainda tem muito a evoluir, além de convencer o público. 

No meio do caminho entre carros elétricos e a combustão, se encontram os carros híbridos. No nosso teste, tivemos a oportunidade de conhecer de perto um integrante desse grupo que busca começar a “abrir o coração” dos mais resistentes aos benefícios da eletrificação.  

Estamos falando do Volvo XC40, o menor SUV da montadora comercializado no Brasil e o seu modelo mais barato no nosso mercado! 

Vamos abordar os principais detalhes da versão T5 R-Design, com motorização híbrida do tipo plug-in (a mais cara). Um modelo dessa versão foi cedido gentilmente pela marca para uma avaliação completa feita em uma semana. 

Volvo XC40 foi o primeiro modelo a ser montado sobre a plataforma CMA, desenvolvida em parceria com a Geely (atual proprietária da Volvo). Ele é um SUV compacto de luxo, embora seu porte supere o de seus rivais diretos e dê a entender que ele tem um porte médio.  

Esse modelo estreou no mercado global no segundo semestre de 2017 e não demorou para vir ao Brasil, desembarcando por aqui no primeiro semestre de 2018. Na época, era possível encontrá-lo em três versões, sempre com motorização tradicional: motores movidos a gasolina e tração dianteira ou integral, dependendo da versão. 

A eletrificação desse modelo sueco só começou no Brasil em 2020, justamente nessa versão do nosso teste. Antes o Volvo XC40 era equipado com um 2.0 turbinado de quatro cilindros em linha e capaz de gerar até 252 cv e 35,7 kgfm.

Essa nova versão recebeu o conjunto que a Volvo chama de “Twin Engine”. Basicamente, esse conjunto é composto por um motor 1.5 turbo de três cilindros capaz de gerar até 180 cv e 27 kgfm, aliado a um motor elétrico que gera 82 cv e 16,3 kgfm.  

O mais interessante desse casamento é que, contrariando a maioria dos carros híbridos, a potência máxima e o torque máximo são a soma exata de ambas as medidas. Essa soma resulta em saudáveis 262 cv e 43,3 kgfm, quando os dois motores trabalham juntos.

E esses números são bem superiores aos dos motores dos rivais diretos e até melhores do que o do antigo 2.0 turbo. 

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Tudo isso só pelo número da placa!

Embora o Volvo XC40 seja o menor e mais barato dos carros da marca oferecidos no Brasil, o modelo não decepciona em acabamento interno e itens de série, principalmente nessa versão T5 R-Design.  

A lista de equipamentos é extensa e traz até itens presentes em modelos de carros bem mais caros. Veja os principais: 

  • Faróis Full LED adaptativos e direcionais, cujo facho de luz acompanha o movimento do volante; 
  • Ar-condicionado digital de duas zonas; 
  • Teto solar panorâmico; 
  • Multimídia com tela vertical e espelhamento para smartphones por fio; 
  • Bancos esportivos mesclando couro e nobuck, com ajustes elétricos para os dianteiros e memória para o do motorista; 
  • Rodas aro 20; 
  • Painel de instrumentos totalmente digital; 
  • Sistema de som premium da Harman Kardon. 

A fartura de itens de série impressiona, mas o grande destaque é, sem dúvidas, o “arsenal” de sistemas semiautônomos. O Volvo XC40 conta com o sistema Pilot Assist, que mescla a função de piloto automático adaptativo com o recurso de assistente de permanência em faixa.  

Com o Pilot Assist ativado, o carro dirige praticamente sozinho e é capaz tanto de fazer curvas (desde que as faixas da via estejam nítidas) quanto de acelerar e frear, além de se manter automaticamente distante dos veículos à frente.  

Apesar disso, é imprescindível que o motorista se mantenha atento e com as mãos no volante. Caso não detecte o feedback do condutor, o carro faz questão de chamar atenção através de avisos visuais e sonoros. 

O Volvo XC40 é, além de eficiente, um carro inteligente. Dependendo do clima e da hora do dia, a função de destravar o carro será acompanhada de uma reação particular! 

Se for à noite, por exemplo, um LED branco se acenderá em cada maçaneta para iluminar o chão, permitindo que os passageiros vejam onde vão pisar antes de entrar no carro.

Já em um dia quente, o ar-condicionado será automaticamente ligado para ajudar a refrescar a cabine. Do mesmo modo, ao travar o carro com a cortina do teto solar aberta em um dia quente, o sistema a fechará automaticamente, caso a temperatura externa se eleve.  

Além disso, a chave é bem diferente do costume, trazendo um acabamento que mescla material polido e couro. Ela tem possibilidade de abertura e fechamento remoto das janelas e teto solar, além de um comando dedicado para o acionamento do alarme. 

O ato da partida, que pode ser feita por um botão no console ou remotamente via aplicativo, é acompanhado de um check geral de sistemas. É possível acompanhar tudo pelo painel de instrumentos e pelos faróis que “dançam” vertical e horizontalmente, mostrando que está tudo em ordem com carro.  

Enquanto houver energia no sistema elétrico, a partida será feita com o motor elétrico e assim o carro seguirá até a energia acabar. Nesse momento, o motor a combustão entrará em ação. 

Porém, o motorista pode escolher como quer dirigir através do seletor de modos de condução. É possível escolher os modos:

  • Hybrid – Os motores se revezam automaticamente, com preferência para o elétrico;
  • Individual – Com configurações personalizadas;
  • Power – Os motores trabalham juntos, o tempo todo, para garantir a força máxima;
  • Pure – Somente o motor elétrico é utilizado;
  • Off-Road – Auxílio para condução em pisos ruins. 

Andar com o Volvo XC40 é uma experiência interessante e muito calma!

Estando com a bateria de 10,7 kWh totalmente carregada, é possível percorrer até 47 km sem gastar nem uma gota de gasolina. Pode parecer pouco na teoria, mas na prática, dependendo do seu percurso diário, é o suficiente para passar um bom tempo sem visitar o posto de combustíveis.  

Caso você queira deixar os dois motores trabalharem juntos, a autonomia total estimada superará os 1.000 km. Nesse caso, o consumo médio, segundo o nosso teste, será de 24,3 km/l em percursos urbanos e de 16,6 km/l em trechos rodoviários.

Ao contrário dos carros convencionais, o consumo de veículos híbridos costuma ser maior na estrada do que na cidade. Isso acontece porque, nessas circunstâncias, o motor a combustão trabalha mais, devido à velocidade mais alta. 

Toda a operação de gerenciamento de motores é automática e quase imperceptível ao motorista.

Ela se baseia nas condições de rodagem e no quanto o condutor está pisando no acelerador e tudo o que está acontecendo é exibido no mostrador direito do painel de instrumentos.

Esse mostrador substitui o conta-giros e traz um gráfico circular que diz qual motor está sendo usado, o quanto ele está sendo usado e em qual marcha. Além disso, é possível ver os indicadores do nível de energia na bateria e de combustível no tanque e, por um gráfico menor, o quanto a frenagem regenerativa está auxiliando na recarga da bateria. 

O que mais agrada ao rodar como o XC40 é a eficiência, independente de qual motor está em uso, seja o elétrico ou o tradicional.  

A experiência só não é melhor por conta do barulho do 1.5, que é mais alto do que se espera para um carro dessa proposta e preço, mas nada que chegue a incomodar a condução. 

Por falar em incômodo, as grandes rodas de 20 polegadas, exclusivas da versão, garantem um rodar sólido e confiante ao SUV, mas não ficam muito à vontade diante dos defeitos e demais imperfeições da pista. Isso tem relação com a suspensão mais firme, característica da versão R-Design, focada em uma proposta mais esportiva. 

Equipado com suspensão independente e freios a disco nas quatro rodas, o pequeno Volvo anda com maestria na maior parte do tempo e é muito gostoso de dirigir, especialmente pelo bom trabalho do conjunto mecânico.  

Há força de sobra quando se precisa ultrapassar ou fazer qualquer coisa que exija mais do motor. Mas, é importante lembrar que os vistosos 262 cv e 43,3 kgfm só existem quando os dois motores estão atuando juntos, diferente do que ocorria no antigo 2.0 turbinado de 252 cv, que trabalhava sozinho.  

Outras mudanças significativas em relação ao antigo conjunto mecânico foram a troca da tração integral pela dianteira e o peso extra do sistema eletrificado. Isso afetou diretamente a dinâmica do Volvo XC40 e reduziu o tempo de 0 a 100 km/h em alguns milésimos de segundo. Entretanto, tais pontos só fazem real diferença em uma tocada esportiva, sendo que para o dia a dia ou para uma viagem com a família, não muda nada. 

Outro ponto no qual o XC40 dá um show à parte é a ambientação! 

A cabine é predominantemente preta, dos bancos até o teto, e traz uma mescla de materiais que deixa claro se tratar de um veículo premium. As porções do tipo soft touch se combinam com plásticos de boa textura e pegada, além das peças em alumínio e da costura branca dos assentos, que conferem uma sofisticação digna de modelos superiores.  

Além disso, os bancos trazem um acabamento exclusivo da versão e os raríssimos extensores de assento, elemento útil para os mais altos que sentem as pernas “soltas” em alguns bancos que tem o assento mais curto. 

E não é apenas durante o dia que a cabine do XC40 impressiona. O clima noturno fica por conta da iluminação ambiente por LEDs brancos, que reflete nos detalhes de acabamento (o que a Volvo chama de “Cutting Edge”) no painel e nas portas dianteiras. Além disso, há três pequenos spots de luz no teto que mudam de cor, de acordo com a escolha do motorista.

Ainda assim, faltou uma terceira zona de temperatura no sistema de ar-condicionado para quem vai atrás, recurso que está presente em modelos mais baratos, além de uma porta USB tradicional ao invés do limitado tipo C. 

Após sete dias e mais de 600 km percorridos com o XC40 híbrido, a impressão que fica é das melhores:  

O SUV combina um desempenho digno de esportivo com a economia dos carros populares. Isso o coloca muito à frente dos rivais diretos que, em sua maioria, ainda não passaram pela eletrificação. 

Mesmo quando comparado ao seu único rival direto com motor híbrido (que é o Lexus UX), a superioridade do conjunto do XC40, tanto em desempenho quanto em autonomia, se faz mais evidente.  

O que ainda afasta muitos dos possíveis compradores é a rede limitadíssima de lojas da Volvo no Brasil, um problema que é menos sentido pelos rivais. 

O sueco traz um farto pacote de itens de série, apesar de não ser perfeito, e o contato prolongado com ele faz com que se entenda o sucesso que a Volvo tem vivido no mercado brasileiro nos últimos anos. A marca tem comemorado sucessivos recordes de vendas e, mesmo com as limitações de lojas, já domina alguns segmentos do mercado premium.  

Mas, a versão R-Design, antes dona de um conjunto mecânico exclusivo, agora traz a mesma mecânica das versões mais baratas, o que pode frustrar quem busca um carro com uma proposta diferenciada.

Ainda assim, diante do resultado e dos predicados observados no convívio diário, é difícil sentir falta do antigo 2.0 e não passar a olhar com mais carinho para os eletrificados. 

Concorrentes diretos 

Audi Q3 

Mercedes-Benz GLA 

Lexus UX 

BMW X1 

Jaguar E-Pace 

Veja o teste completo neste vídeo: