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Veja o teste de uma semana que nós fizemos com o Volvo XC40 Pure Electric!

Não é a primeira vez que falamos de veículos eletrificados aqui na Olho No Carro e, caso você não tenha notado, a tendência é abordarmos esse assunto cada vez mais. Isso porque todas as grandes montadoras do planeta têm realizado investimentos bilionários nessa causa. Inclusive, algumas já estão com metas definidas para colocar um ponto final nos carros com motores a combustão em um futuro não muito distante. 

Uma das montadoras tradicionais mais adiantadas nessa corrida elétrica é a Volvo. Hoje sob o comando da chinesa Geely, a sueca quer vender somente modelos 100% elétricos a partir de 2030, excluindo até mesmo os híbridos.

O primeiro produto dessa nova fase desembarcou há alguns meses no mercado brasileiro: é o XC40 Pure Electric, primeiro carro de produção da marca com propulsão 100% elétrica no planeta. 

Você sabia que é possível consultar o histórico completo de qualquer veículo só pela placa?

O inédito XC40 elétrico nasceu como uma espécie de embaixador da nova fase da Volvo no mundo.  

Chamada de Recharge, a estratégia visa promover uma transição gradativa até a eletrificação total. Nesse primeiro momento, consiste na venda exclusiva de modelos com algum nível de eletrificação, seja parcial (como nos híbridos) ou total. A Volvo não comercializa mais nenhum carro movido apenas por motor de combustão interna. Até mesmo os esportivos assinados pela Polestar trazem motorização híbrida. 

Lançado no Brasil pelo preço de R$ 389.950, ele custa bem mais do que os XC40 convencionais com motorização híbrida e é apenas o primeiro produto 100% elétrico da Volvo por aqui.

A divisão brasileira da marca já confirmou a chegada do inédito C40 em 2022, mas com motorização exclusivamente elétrica, sem opções híbridas. Nossos parceiros do Volta Rápida passaram uma semana inteira a bordo da novidade e trazem as impressões do convívio diário com o sueco. 

A primeira coisa que chama atenção no XC40 Pure Electric é a diferença de, em média, R$ 100 mil diante das duas versões híbridas oferecidas no Brasil atualmente.  

Todo esse dinheiro a mais se justifica em alguns equipamentos exclusivos da nova variante e, é claro, no conjunto mecânico. Chamado pela marca de P8, ele é composto por dois motores elétricos idênticos ou “gêmeos”, como a Volvo chama e identifica pela plaqueta TWIN no porta-malas do SUV compacto de luxo. 

Cada um deles se encontra em um dos eixos e gera, sozinho, 204 cv e quase 34 kgfm. Como eles atuam sempre juntos, o motorista tem ao seu dispor nada menos do que 408 cv e 67,3 kgfm de potência e torque combinados sendo distribuídos entre as quatro rodas o tempo todo. Com isso, o XC40 elétrico vai de 0 a 100km/h em 4,9 segundos, o que faz dele o segundo Volvo de fábrica mais rápido do mundo, ficando atrás apenas do sedan S60 Polestar Engineered e seus 4,4 segundos na mesma prova. 

Se ficou curioso sobre a velocidade máxima que o pequeno elétrico pode atingir, saiba que ela não é diferente de nenhum outro Volvo atual.

Visando zerar os acidentes e mortes a bordo de seus veículos, a sueca agora limita todos os seus carros de fábrica a 180 km/h, inclusive os esportivos. É uma limitação eletrônica que, no caso do XC40 elétrico, também tem o objetivo de minimizar o desgaste da bateria, pois quanto mais se pisa, mais energia é consumida e menor é a autonomia, igual a um motor a combustão. 

Falando em bateria, o componente de 78kWh pesa aproximadamente 500kg e fica no assoalho, embaixo dos passageiros. Com uma carga completa, a autonomia estimada é de bons 418 km e pode ser ligeiramente prolongada durante a condução através de recursos como a frenagem regenerativa e o One Pedal Drive, uma inovação que falaremos mais adiante. Não se mede a duração por tempo nesse caso, pois o que mais puxa energia são os motores: sem eles em uso, a duração por tempo é bastante longa. 

A nova versão do XC40 Pure Electric se baseia na R-Design, a mais cara com motor híbrido.  

O visual é composto por detalhes externos em preto brilhante, assim como o teto que é pintado de preto, independentemente da cor escolhida para a carroceria. A do nosso carro de teste se chama Fusion Red e, assim como as outras, não tem nenhum custo extra. São oito opções de cores ao todo, sendo que duas são exclusivas da variante elétrica: a Crystal White e a Sage Green.  

Também há rodas de 20 polegadas com acabamento mesclando face diamantada e parte interna em preto brilhante. Já o interior vem sempre em preto, seguindo os mesmos moldes da cabine dos R-Design, com bancos de costura branca e partes da cabine feitas de materiais reciclados. 

A lista de equipamentos ficou ainda mais generosa. Sem opcionais, o XC40 Pure Electric traz itens como: 

  • Bancos dianteiros elétricos com extensor de assento e memória para o motorista; 
  • Faróis Full LED direcionais e adaptativos; 
  • Ar-condicionado de duas zonas; 
  • Teto solar panorâmico; 
  • Som premium da Harman Kardon com treze alto-falantes (incluindo um subwoofer); 
  • Retrovisores externos e interno fotocrômicos; 
  • Sistemas de condução semiautônoma como piloto automático adaptativo; 
  • Assistente de permanência em faixa; 
  • Monitoramento de pontos cegos.  

Como exclusividade da versão elétrica há câmeras com visão em 360 graus, central multimídia com serviços Google integrados e comandos de iluminação e do teto solar sensíveis ao toque. 

O primeiro contato com o XC40 elétrico causa estranheza aos leigos pela ausência da tradicional grade dianteira na cor preta. Em seu lugar, a Volvo fechou a seção e deixou tudo da mesma cor da carroceria. Como não há um motor a combustão embaixo do capô, não há a necessidade de aberturas tão grandes para arrefecimento.

Desse modo, a marca reduziu o arrasto aerodinâmico e aproveitou a ausência do motor para instalar um compartimento auxiliar de 31 litros que pode levar pequenas bolsas ou malas, muito útil quando o porta-malas de 414 litros estiver lotado. 

Já a experiência de direção impressiona até aos condutores experientes. Para dar a partida, por exemplo, basta estar com a chave dentro do carro, manter o pé no freio e mover o joystick do câmbio para D ou R. Feito isso, o aviso READY (pronto) será exibido em verde no painel e o freio de estacionamento será desativado automaticamente para que o carro possa ser conduzido. Para desligá-lo basta pisar no freio, apertar o botão de P próximo do câmbio e abrir a porta. Novamente, o freio de estacionamento será ativado sozinho. Não há botão de partida ou comandos de freio de estacionamento, é tudo inteligente, proporcionando uma experiência disruptiva e bastante interessante. 

A forma como o XC40 elétrico anda é igualmente impressionante e capaz de empolgar até aos que torcem o nariz para a onda da eletrificação devido à falta de “barulho” dos carros.  

Não há um motor convencional que precisa ser levado até certa faixa de rotações para entregar seu potencial máximo. Toda a potência e o torque estão disponíveis integralmente desde a imobilidade, o que faz o SUV elétrico arrancar com violência e força capaz de empurrar os passageiros contra os bancos e deixar a condução extremamente prazerosa até mesmo no caótico ambiente urbano. Não custa lembrar que, como já dissemos, mesmo com tanta força disponível, o ideal é manter o pé direito leve no acelerador: quanto mais se exige dos motores elétricos, mais rápido a energia é gasta e menor é a autonomia total. 

Em trechos rodoviários, a experiência é ainda melhor. Também não há uma caixa de marchas convencional que precisa ser reduzida ou avançada conforme o motor trabalha, então, as ultrapassagens e retomadas de velocidade acontecem com a rapidez de um relâmpago.

A tração integral permanente aliada às rodas aro 20 calçadas em pneus Pirelli P Zero, alguns dos melhores do mercado, e ao pesado banco de baterias no assoalho, que atua como lastro, também garantem uma estabilidade excepcional ao utilitário, digna de um carro esportivo de verdade. 

O lado ruim é que a suspensão precisou ficar mais dura para lidar com o peso elevado e a força do conjunto elétrico, o que deixou o XC40 Pure Electric menos confortável do que as versões híbridas, mas ainda capaz de andar por asfaltos ruins sem batidas secas ou solavancos maiores. 

A ambientação da cabine não deve em quase nada aos irmãos maiores e mais caros do XC40! 

Há porções em soft touch em diversos lugares, além da iluminação inteiramente feita por LEDs e detalhes em preto brilhante ou alumínio, inclusive no volante, tudo para deixar claro que se trata de um carro premium. Há iluminação ambiente em porções do painel e das portas dianteiras em um tom de branco amarelado que amplia a sofisticação da cabine à noite, mas que deveria ter se estendido às portas traseiras assim como a luz indireta para os pés. 

Grande parte das funções do carro se concentra na central multimídia com tela vertical e serviços da Google como o Maps e o Assistant, por exemplo. Há conexão 4G permanente, o que permite ao motorista realizar tarefas como monitorar o trânsito, a fim de evitar congestionamentos, pedir ao Assistant para ler notícias em tempo real, entre muitos outros. Os comandos do ar-condicionado também se encontram todos na tela da central, além das muitas opções de configuração e customização das funções do veículo. 

Falando do One Pedal Drive, trata-se de um recurso presente em alguns carros elétricos cujo objetivo é amplificar a recuperação de energia através das frenagens regenerativas. Como diz o nome, ao ser ativado, ele permite a condução unicamente através do pedal do acelerador: quando pressionado, ele faz o carro andar normalmente e, quando aliviado, ele freia o veículo gradativamente na mesma intensidade em que for aliviado, ou seja, caso o condutor tire o pé totalmente, o veículo será freado até parar por completo. Demanda certo tempo até se acostumar, mas é interessante de se ver na prática e, como um bônus, ajuda na recuperação de energia por aproveitar todos os momentos de frenagem. Quando desativado, o XC40 elétrico se conduz como um carro automático convencional. 

Após mais de 700km percorridos ao longo de sete dias, a impressão que fica é a melhor possível.  

O XC40 Pure Electric anda muito, é inteligente e combina as mordomias de um veículo premium com o desempenho de um legítimo esportivo, apesar de ser um carro comum. Entretanto, seu preço o aproxima perigosamente do XC60 na versão Inscription, que é um carro maior e mais equipado, dotado do conhecido conjunto híbrido T8, que entrega 407 cv e 65,3 kgfm de potência e torque máximos, além de autonomia total que pode facilmente superar os 1.000 km. Encare a nova variante do menor SUV da Volvo como a versão esportiva que a marca nunca fez oficialmente dele e, como todo carro desse tipo, se mostra uma compra mais emocional do que racional. 

Embora interessante, o fato de ser 100% elétrico limita o uso do XC40 Pure Electric aos grandes centros urbanos, pois a rede de pontos de recarga fora das capitais ainda é muito limitada e exige planejamento redobrado antes mesmo da compra. Na nossa opinião, o mais indicado para quem usa muito o carro, inclusive para viagens, ainda é o XC40 híbrido na versão R-Design ou, caso a carteira esteja mais confortável, o XC60 Inscription. No atual momento, o XC40 elétrico é um vislumbre empolgante e ecologicamente correto do que a Volvo quer para o futuro da indústria automotiva. 

O modelo não possui concorrentes diretos na categoria “SUV compacto elétrico”.