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Veja o teste de uma semana que nós fizemos com o Corolla Cross XRE 2022.

Alguns produtos ganham tanta força no mercado que os fabricantes decidem investir em subprodutos derivados deles, visando vendê-los através da boa fama conquistada pelo original. Isso tem acontecido bastante no meio automotivo e, na nossa mais recente avaliação feita em parceria com os amigos do Volta Rápida, testamos um desses produtos nascidos do sucesso tremendo de outro mais antigo. 

Estamos falando do Corolla Cross, um modelo inédito na gama global de produtos da Toyota, que nasceu para ampliar a participação da marca no badalado segmento dos SUVs médios.  

Lançado em março deste ano, ele é um derivado direto do Corolla sedan na sua atual geração. Esse modelo chegou em quatro versões: duas com motor 2.0 Flex e duas com o conjunto 1.8 híbrido. Testamos a XRE, a mais cara com motor 2.0 e câmbio CVT. 

O Corolla Cross XRE herdou quase tudo do sedan, a começar pela plataforma TNGA-C e o novo motor 2.0 aspirado Flex (que a montadora chama de Dynamic Force). Ele vem com injeção direta e indireta para gerar até 177 cv e 21,4 Kgfm com etanol.

Também vem do sedan a transmissão CVT chamada de Direct Shift, que conta com simulação de dez marchas, trocas manuais na alavanca ou por aletas no volante e uma primeira marcha física para auxiliar nas saídas. 

Se estiver pensando em comprar um Corolla Cross seminovo, consulte o histórico e evite problemas!

O pacote tecnológico também é bastante parecido. Analisando ponto a ponto, a versão XRE equivale à XEi do sedan, apesar da grande diferença de preço entre elas.  

Custando R$ 164.190, o Corolla Cross XRE traz: 

  • Faróis Full LED; 
  • Faróis de neblina também em LED; 
  • Ar-condicionado digital com saídas traseiras; 
  • Multimídia com espelhamento para smartphones; 
  • Interior com bancos e partes da porta em couro preto; 
  • Sensores traseiros de estacionamento; 
  • Câmera de ré, entre outros. 

Apesar de tanta semelhança, existem diferenças pontuais que distanciam o SUV do sedan em vários aspectos.  

A suspensão traseira, constituída por um sistema independente no sedan, foi trocada pelo eixo de torção no SUV. Essa concepção é mais barata e de comportamento dinâmico inferior. Além disso, as medidas são diferentes, embora a plataforma seja a mesma. O SUV é mais curto tanto no comprimento total quanto no entre-eixos, mas é mais alto e mais largo do que o sedan. 

Além de ser um pouco mais pesado do que o sedan, o tanque de combustível do SUV também é menor em ambas as motorizações. Falando do 2.0, da nossa unidade de teste, são 43 litros de capacidade contra 50 do tanque do sedan equipado com o mesmo motor. Esses fatores somados ao maior arrasto aerodinâmico ocasionado pelo perfil do utilitário aumentaram o consumo e, por consequência lógica, diminuíram a autonomia.

Nossa média geral com gasolina e etanol misturados, uso alternado de ar-condicionado e de uma a quatro pessoas a bordo foi de 11,8 Km/l. 

O novo motor estreou na décima segunda geração do Corolla, apresentada ao mercado brasileiro em 2019. Ele vai na contramão da maioria esmagadora dos propulsores usados atualmente por operar em ciclo Atkinson ao invés do Otto, uma solução normalmente aplicada em motores de veículos híbridos. Embora o ciclo Atkinson favoreça a economia de combustível, ele também compromete o desempenho, daí o motivo da Toyota ter adotado ambas as injeções em seu novo bloco. 

Do mesmo modo, a nova transmissão automática do tipo CVT fez sua estreia na atual geração do Corolla e possui uma característica inédita: uma primeira marcha real, por engrenagem, feita para quebrar a letargia típica das saídas de carros equipados com esse tipo de câmbio. 

Essa primeira marcha é utilizada automaticamente pelo sistema em todas as saídas e, após uma determinada velocidade, ela é desacoplada para a transmissão passar a funcionar como um CVT convencional. Essa operação é quase imperceptível para o motorista. 

Rodamos mais de 600 Km com o Corolla Cross XRE, ao longo da semana de testes e, de fato, o conjunto mecânico consegue levar o carro com decência.  

Aos que duvidam, por acharem o SUV muito mais pesado, basta comparar a ficha técnica: o Cross na versão XRE pesa apenas 15 Kg a mais do que o sedan na variante XEi. Como diz o velho ditado, as aparências enganam. 

Ainda assim, é importante pontuar que “decência” não é sinônimo de eficiência: é fato que o motor dá conta do SUV, mas ele deixa a desejar quando é comparado a seus rivais diretos equipados com motores turbinados, capazes de entregar mais torque em giro bem mais baixo, além de serem mais econômicos. Assim como o sedan, o Corolla Cross XRE não foi feito para quem busca uma tocada mais esperta. 

Algumas das diferenças entre sedan e SUV, embora denotem a redução de custos, não chegam a incomodar no dia a dia como, por exemplo, o troca do freio de estacionamento por um terceiro pedal, ao invés da tradicional alavanca ou do sistema eletrônico por botão (disponível no Corolla Cross estrangeiro). Já o acabamento mais simplificado, com menos partes em material macio ao toque, desagrada principalmente por se tratar de um carro mais caro. 

Outro ponto que não fez diferença no uso cotidiano foi a troca da suspensão independente pelo conjunto feito por eixo de torção na traseira. O SUV manteve o rodar confortável e seguro, passando por buracos e demais defeitos da pista sem “reclamar” ou dar a incômoda batida de fim de curso do amortecedor. A inferioridade do sistema mais barato só se faz presente em uma condução mais rápida, com curvas feitas em maior velocidade, onde a altura elevada do utilitário também contribui para piorar o comportamento dinâmico. 

O que não dá para perdoar no Corolla Cross XRE é o espaço interno.  

SUVs são veículos normalmente procurados por famílias e, inexplicavelmente, o utilitário é inferior ao sedan nos principais pontos onde um carro de família deveria ser mais forte: entre-eixos e porta-malas. Com 2,70 m e 470 litros respectivamente, o Corolla sedan supera o SUV nessas duas medidas e, mais uma vez, se reafirma como uma compra mais inteligente do que o novato. 

Diante de tudo isso, o que explica o tamanho sucesso do modelo que, inclusive, chegou a superar as vendas do sedan em alguns meses? 

Simples: o peso do nome atrelado às principais qualidades que vieram na 12ª geração do sedan. Aparentemente, o consumidor não se importou muito com os pontos fracos do novato e tem aumentado seus índices de vendas mês a mês, chegando a incomodar o reinado do Jeep Compass e superando o Volkswagen Taos com muita folga. 

De fato, o Corolla Cross herdou as principais qualidades do sedan: o rodar confortável, o desempenho que não encanta, mas é adequado (assim como o consumo) e o pacote tecnológico sem firulas, apenas com o básico, resultando em um conjunto que agradou ao público e fez dele um carro bom. Entre queixas e críticas negativas, o que ninguém pode negar é que a Toyota acertou em cheio na estratégia para seu novo SUV, pelo menos do ponto de vista mercadológico. Mas, racionalmente falando, ele não deve ser levado a sério como opção de compra. 

Principais concorrentes diretos 

Jeep Compass 

Volkswagen Taos 

Mitsubishi Eclipse Cross 

Kia Sportage 

Suzuki S-Cross 

Saiba mais sobre o Corolla Cross XRE 2022 neste vídeo: