O Renault Kwid foi pensado, inicialmente, para o mercado indiano, e após dois anos da sua estreia por lá, chegou ao Brasil, no segundo semestre de 2017, já como ano/modelo 2018.

As linhas do modelo brasileiro são as mesmas do original indiano, mas a divisão brasileira da montadora retrabalhou toda a estrutura e engenharia do carro, para que ele ficasse apto para enfrentar as condições das estradas do nosso país.

O Kwid foi pensado para ser o mais barato possível, por isso, deixava a desejar em muitos aspectos que impossibilitariam sua comercialização por aqui.

Neste artigo, vamos conhecê-lo em detalhes e analisar seus pontos fortes e fracos!

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Design 

As linhas do Renault Kwid são fruto do trabalho de uma equipe inteira de designers indianos, liderada pelo mesmo engenheiro que encabeçou o desenvolvimento da primeira geração do Logan, o conhecido sedan compacto derivado do Sandero.

Segundo a Renault, o então novo hatch subcompacto foi projetado sob a filosofia “Explore”, incorporando características de SUVs, como os balanços dianteiro e traseiro curtíssimos e o bom vão livre do solo.

Esses elementos melhoram os ângulos de entrada e saída, deixando o carro mais versátil. 

A dianteira conta com faróis horizontais de refletor único bifocal e acabamento em máscara negra, com pequenos detalhes cromados, unidos diretamente pela grade central em preto fosco.

O para-choque dianteiro traz pequenas aberturas nas extremidades e todo seu contorno inferior em preto fosco, tendo continuidade nas laterais dos para-lamas.

De lado, linhas suaves sem vincos marcantes e as molduras das janelas sempre em preto fosco.

Por fim, a traseira possui uma pequena vigia de vidro na tampa do porta-malas, lanternas que se prolongam pelas laterais e o para-choque com a maior parte em preto fosco, abrigando a placa de identificação. 

Em Janeiro de 2022, o Renault Kwid brasileiro recebeu seu primeiro facelift, com novidades visuais que se concentraram na dianteira.

O conjunto ótico passou a ser dividido em dois estágios, distribuídos entre a nova grade e o para-choque redesenhado.

De lado, as únicas novidades foram as novas opções de calotas ou rodas, de acordo com a versão, e, na traseira, o para-choque ganhou pequenos refletores “olho de gato” e novas lanternas com luzes de posição em LED nas variantes mais caras. 

Mecânica 

Construído sobre a plataforma CMF-A, o Kwid conta com uma única dupla de motor e transmissão.

Trata-se do conhecido motor 1.0, aspirado flex de três cilindros da família SCe (Smart Control Efficiency), aliado a uma transmissão manual de cinco marchas.

É o motor que estreou no facelift da segunda geração do Sandero, mas que recebeu mudanças para gerar menos potência e torque máximos no Kwid, a fim de deixar o subcompacto mais seguro de ser guiado, uma vez que sua carroceria é bem mais leve do que a do irmão maior.

A variante do SCe exclusiva do Kwid gera até 70 cv e 9,8 kgfm contra 82 cv e 10,5 kgfm de picos de potência e torque do SCe, presente na dupla Sandero e Logan. A principal diferença está no comando de válvulas simples ao invés do variável, o que ajuda a explicar os números mais modestos. 

No facelift aplicado em Janeiro deste ano (e que testamos há alguns meses), o pequeno SCe do Kwid recebeu alterações para ficar mais econômico e bem disposto como, por exemplo, uma nova central eletrônica, nova calibração e um novo sensor de fase para o comando de válvulas.

Houve um pequeno acréscimo de performance, resultando em 71 cv e 10 kgfm, mas o bloco ficou mais econômico e com funcionamento bem mais suave.

Ao longo do tempo, o Kwid também recebeu melhorias nos freios, que trocaram os discos sólidos na dianteira por ventilados, mantendo o tambor na traseira e um reajuste na suspensão, para entregar um comportamento mais firme e seguro em velocidades mais altas. 

Interior 

A cabine do Renault Kwid é uma das mais simples que um carro moderno pode ter.

O plástico é predominante por todos os lados, sem porções de tecido nas portas ou painel, mas o acabamento pode ficar um pouco mais refinado, com apliques em cromado, branco, laranja, azul, verde ou preto brilhante nas versões mais caras.

O cluster de instrumentos mistura mostradores analógicos com uma tela digital para o computador de bordo à direita e um útil indicador de condução econômica por LEDs, na parte inferior central. 

O volante de três raios e aro em espuma injetada não traz comandos ou ajustes de altura e profundidade.

No centro, o console traz saídas de ar horizontais em contraste com as redondas nas extremidades e espaço para um rádio 2DIN ou central multimídia. Os bancos dianteiros são inteiriços, integrando o encosto de cabeça.

Para o facelift, as principais novidades foram os novos revestimentos para os bancos em cada versão, um painel de instrumentos digital mesclando tela e mostradores em LEDs e, por fim, uma tela maior para o sistema multimídia. 

Tecnologia 

Na época do lançamento, a Renault queria que o Kwid fosse o carro mais barato do Brasil, por isso, tratou de lançar uma versão de entrada desprovida dos itens mais elementares.

A configuração mais barata do subcompacto na época não trazia recursos que são básicos atualmente:

  • Direção com assistência hidráulica ou elétrica;
  • Ar-condicionado ou rádio, contando apenas com predisposição para som;
  • Rodas aro 14 de ferro com calotas;
  • Limpador e desembaçador traseiro;
  • Quatro airbags de série, sendo dois frontais e dois laterais. 

Já a versão mais equipada oferecia “mimos” como:

  • Retrovisores com ajustes elétricos;
  • Ar-condicionado;
  • Direção elétrica;
  • Faróis de neblina;
  • Central multimídia;
  • Câmera de ré;
  • Bancos em couro.

No facelift, a situação melhorou ainda mais e o Kwid passou a contar com:

  • Luzes diurnas em LED;
  • Monitoramento de pressão dos pneus;
  • Direção elétrica;
  • Sistema start-stop;
  • Controle de estabilidade de série em todas as versões;
  • Entre outros.
Veja também a avaliação do principal concorrente do Renault Kwid:

Principais pontos fortes 

Economia

Pesando menos de 800 kg, o Kwid é um dos carros mais leves do Brasil (atualmente), o que melhora ainda mais o trabalho do pequeno 1.0 SCe já conhecido pelo bom funcionamento geral. 

Custo

Durante algum tempo, o Kwid simbolizou o sonho do primeiro carro zero km para muitas pessoas e, ainda hoje, é um dos modelos novos mais baratos do país e os exemplares usados continuam custando uma pechincha.

Deve ser considerado como opção aos que sonham com um carro, não querem/podem gastar muito e fazem questão que seja o mais novo possível. 

Segurança

Um tópico que nunca foi dos melhores em carros mais baratos, mas que é surpreendentemente razoável no Renault Kwid.

Um dos motivos do modelo brasileiro pesar mais do que o indiano é o extenso retrabalho da engenharia, com reforços estruturais para deixar o subcompacto nacional mais seguro, e o esforço deu certo.

Esse modelo conseguiu três estrelas de cinco possíveis no Latin NCAP quando foi testado próximo do lançamento, bem superior ao resultado zerado obtido pela variante indiana. 

Principais pontos fracos 

Acabamento

As tentativas de fazer o proprietário esquecer que está em um modelo do mais baixo custo possível mal surtem efeito.

Os apliques decorativos deixam o ambiente ligeiramente mais leve, mas o excesso de superfícies rígidas e monocromáticas desagrada até a quem não se importa tanto com isso. 

Versão Life

Antes do facelift, a variante Life era a mais barata da linha do Kwid – a que não tem ar-condicionado e nem direção assistida para ficar mais leve em manobras. De tão básica, ela acabou “micando” e se tornando raríssima nas ruas.

Já a Zen, intermediária, trazia os recursos mínimos de conforto para um carro e acabou sendo a predileta do mercado, principalmente pela diferença mínima de preço entre ela e a Life.

Evite levar a versão de entrada, porque não vale a pena e pode dificultar bastante a revenda no futuro. 

Sistema de som

Composto por apenas dois alto-falantes de baixíssima qualidade, o Kwid irrita até mesmo aos que querem apenas uma música ambiente, enquanto conversam em um tom moderado de voz.

Se você gosta de ouvir música com frequência no carro, pense duas vezes antes de embarcar em um Kwid. 

Quer saber mais sobre o Renault Kwid? Assista a este vídeo:

Curiosidades 

1 – Apesar da Renault ter lançado um modelo conceitual com o nome Kwid, o verdadeiro Kwid de produção não tem absolutamente nada a ver com o carro conceito, apresentado em 2014 como um buggy futurista. 

2 – Ao contrário do que muitos pensam, o Renault Kwid não é um produto Dacia (marca de baixo custo da Renault) com emblemas trocados para o Brasil e sim, um legítimo Renault desenvolvido na Índia, para atender às necessidades locais.

Apenas no facelift é que ele ganhou uma derivação chamada Dacia Spring, baseada no Kwid com propulsão 100% elétrica. 

3 – O Kwid teve alguns conceitos interessantes baseados no pré-facelift: os esportivos Racer Concept e Extreme, além do aventureiro Climber Concept 

Histórico de versões 

2017/2018 – Life, Zen e Intense – Modelo de lançamento.

2018/2019 – Life, Zen e Intense – Linha 2019.

2019/2020 – Life, Zen, Intense e Outsider – Linha 2020. 

Reposicionamentos: 

  • Acréscimo da versão Outsider.

2020/2021 – Life, Zen, Intense e Outsider – Linha 2021. 

2021/2022 – Life, Zen, Intense e Outsider – Linha 2022. 

2022/2023 – Zen, Intense, Intense Biton e Outsider – Linha 2023, primeiro facelift.

Reposicionamentos: 

  • Retirada da versão Life;
  • Zen passa a versão de entrada. 

Novidades – Todas as versões: 

  • Luzes diurnas em LED integradas;
  • Novos faróis, grade e para-choque dianteiro;
  • Novas calotas ou rodas;
  • Novo para-choque traseiro;
  • Novo cluster de instrumentos;
  • Novos bancos.

A partir da Intense:

  • Lanternas com luz de posição em LED.

Outro concorrente direto 

Volkswagen up!