Logotipo Olho no Carro

Foi-se o tempo em que os modelos de entrada eram veículos extremamente básicos, sem itens mínimos de conforto ou segurança para deixar o uso diário mais agradável. Um dos símbolos dessa mudança é o Renault Kwid 2023, que, embora tenha um preço elevado para um carro básico, é um modelo bem equipado, com itens que seriam impensáveis em determinadas categorias há alguns anos.

Não precisamos voltar muito no tempo para lembrar que um carro pensado para ser o mais barato de uma marca generalista jamais traria alguns itens de série como luzes diurnas, central multimídia, controle de estabilidade e coisas afins.

Mas esses equipamentos cada vez estão se tornando um padrão e a Renault decidiu utilizar esse conceito de carro de entrada com o Kwid, seu subcompacto lançado em 2017, que passou por seu primeiro facelift há alguns meses, para confrontar o Fiat Mobi, seu único rival na categoria.

O Kwid reestilizado foi apresentado em janeiro deste ano e trouxe importantes novidades para a gama, incorporando as mesmas alterações adotadas nas variantes estrangeiras e chegando em três versões com preços entre R$ 61.090,00 e R$ 68.690,00.

A montadora cedeu um exemplar da versão Intense, a intermediária da linha, para nossos amigos do Volta Rápida avaliarem por uma semana. Tabelada em R$ 65.190, a unidade fornecida conta com o pacote Biton, que acrescenta inéditas rodas de liga leve aro 14 e teto em preto brilhante por R$ 3.400 a mais.

A aposta no design aprimorado tira a ‘cara de basicão’ do Renault Kwid 2023:

Falando das novidades visuais, o Kwid 2023 apresenta uma nova dianteira, que trouxe inéditas luzes diurnas e de posição em LED, separadas dos faróis principais, agora mais baixos e do tipo parábola dupla – farol baixo e alto separados.

A grade e o para-choque também são novos, assim como as calotas das configurações mais baratas, as rodas de liga leve das mais caras, as lanternas com luz de posição em LED e os para-choque traseiros com refletores decorativos nas extremidades.

No geral, as mudanças fizeram bem e ajudaram a quebrar um pouco a impressão de “carro de baixo custo”.

Estes temas também podem te interessar:

Renault Kwid 2023 apresenta novidades entre os itens de série:

Foto da central multimídia do Renault Kwid 2023

Quando o assunto é tecnologia embarcada, o Kwid 2023 também traz algumas novidades.

Vale lembrar que a versão Intense era a top de linha no modelo de lançamento e, com o passar dos anos, se manteve como intermediária, abaixo apenas da Outsider, mas se diferenciando apenas pelos detalhes estéticos, pois a lista de equipamentos de ambas é a mesma.

Sem opcionais, a versão Intense traz itens como:
  • Controle de estabilidade com assistente de partida em rampas;
  • Sistema de monitoramento de pressão dos pneus;
  • Luzes diurnas em LED;
  • Central multimídia com tela de 8 polegadas e comandos-satélite na coluna de direção;
  • Ar-condicionado;
  • Trio elétrico (vidros dianteiros, travas e retrovisores);
  • Câmera de ré;
  • Sistema start-stop;
  • Painel de instrumentos digital.

Mecanicamente, o Kwid 2023 contrariou os rumores de que receberia o motor 1.0 SCe da variante mais forte utilizada pelo Sandero.

A Renault manteve o 1.0 SCe mais fraco, feito exclusivamente para o Kwid, mas promoveu alterações para deixá-lo mais econômico e discretamente mais potente, capaz de gerar até 71 cv e 10 kgfm de torque máximo. Ele tem 1 cv e 0,2 kgfm a mais diante do modelo pré-facelift.

Foto do capô aberto do Renault Kwid mostrando o motor
Entre outras novidades, o Renault Kwid apresenta:
  • Nova central eletrônica de gerenciamento;
  • Nova calibragem do motor;
  • Novo sensor de fase para o comando duplo de válvulas,
  • Pneus “verdes”, com 20% menos resistência a rolagem;
  • Novo alternador inteligente que alivia o trabalho do motor nas acelerações, aproveitando as desacelerações para recarregar a bateria.

Mas o facelift do Kwid não foi feito só de acertos e mudanças!

Nem só de mudanças vive o Kwid reestilizado. Algumas coisas não sofreram alterações e prometem continuar causando polêmica, como os três furos das rodas, por exemplo, além dos meros dois alto-falantes do sistema de som, a palheta única de limpador de para-brisa e o excesso de plástico de baixa qualidade no interior.

A cabine também continua sem oferecer quaisquer meios para os passageiros se segurarem como alças de teto ou puxadores de porta, além de insistir nos aparentes pinos de trava na parte superior das portas.

O comportamento do subcompacto também é, essencialmente, o mesmo:

Algumas melhorias são bem perceptíveis como o sumiço do ‘apito rouco’ que aparecia toda vez que o motor era acelerado ao máximo, como em uma ultrapassagem, bem como a sensível redução dos ruídos do acabamento interno.

A suspensão também ficou mais firme sem comprometer o conforto, deixando o carro mais seguro até em altas velocidades.

Pedais e alavanca de câmbio mantiveram o bom relacionamento de sempre, proporcionando uma condução confortável e ágil quando necessário, mas o mesmo não pode ser dito das acomodações.

Os ajustes de altura do volante e banco do motorista continuam de fora, dificultando a necessária tarefa de se achar uma posição confortável para dirigir por longos períodos.

Ainda assim, os bancos inteiriços acomodam com decência e trazem uma mescla visual interessante de couro sintético com tecido cinza e detalhes em azul.

Foto do espaço interno dos bancos traseiros
Para fins de referência, um motorista de 1,80m de altura e 115 kg consegue se acomodar de forma apropriada no banco do passageiro, embora mal sobre espaço para as pernas de quem vai nos bancos de trás – no máximo, para crianças.

Ainda assim, vale lembrar que o Kwid é dono dos maiores entre-eixos e porta-malas da categoria, sendo 2,42 metros e 290 litros respectivamente.

Foto do porta-malas do veículo.

Kwid 2023 apresenta falhas imperdoáveis:

Até agora, tudo o que foi apresentado no Renault Kwid 2023 pode ser relevado ou vai depender da importância que o consumidor dá, mas três coisas irritaram bastante e se mostraram falhas graves para um carro tão novo:

1 – Intermitência do funcionamento do computador de bordo

A primeira delas é a intermitência do funcionamento do computador de bordo que simplesmente zerava o hodômetro parcial sozinho, confundindo todas as demais informações e nos impossibilitando de medir, por exemplo, o consumo médio, ou saber quantos litros de combustível foram gastos na viagem.

Segundo nossas apurações, não foi um caso isolado e a Renault precisa se mexer para corrigir.

2 – Barulhos durante as trocas de marcha

Outro ponto igualmente incômodo é a presença das ‘castanholas’ nas trocas de marchas mais baixas ou em menor velocidade.

Um modelo recém-lançado e com menos de 2 mil km rodados não pode apresentar batidas de biela em uma condução normal, em hipótese alguma.

3 – Desencaixe do tampão do porta-malas

Por fim, o tampão do porta-malas (também conhecido como bagagito) precisa ser encaixado manualmente toda vez que a porta do compartimento é aberta, pois ele sai do lugar e não consegue voltar sozinho ao fechar da porta.

São erros pontuais, mas grosseiros e que não podem aparecer em um lançamento.

Kwid apresenta boa resposta ao andar nas ruas brasileiras:

Voltando a falar dos pontos altos do Kwid 2023, o modelo manteve sua leveza e, com isso, a esperteza ao se movimentar pelas ruas e estradas brasileiras.

O câmbio bem escalonado apresentou a elasticidade adequada, com exceção da quinta marcha que deveria ser mais longa, para deixar o giro do motor mais baixo em viagens.

Ainda assim, conseguimos uma boa média entre 15 e 16 km/l segundo nossos cálculos primários, rodando apenas com gasolina e alternando o uso do ar-condicionado.

Foto do espaço interno para os passageiros dos bancos da frente.

Além disso, de maneira geral, as melhorias deixaram o convívio com o Renault Kwid 2023 mais interessante.

Os novos recursos de segurança são muito bem-vindos, especialmente a permanência dos quatro airbags que nem mesmo o novo Duster possui e a adoção do controle de estabilidade que o Fiat Mobi, por exemplo, traz unicamente como opcional e o extinto Volkswagen Up! nunca recebeu no Brasil.

No final das contas, apesar das mudanças, o Kwid 2023 mostrou que continua sendo o Kwid de sempre, mas atualizado para se adequar a um mercado consumidor que está exigindo mais dos produtos, até mesmo dos de entrada.

Assista ao vídeo abaixo e saiba ainda mais sobre o Renault Kwid 2023:

Principais concorrentes diretos

Fiat Mobi