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O Renault Duster 2023 chegou com uma novidade que era esperada desde 2020, quando aconteceu o lançamento do modelo novo no Brasil. Agora ele conta com o motor 1.3 TCe, turbinado e flex, que equipa alguns carros da Renault no exterior e que estreou por aqui no Captur reestilizado.

Nossos parceiros do canal Volta Rápida receberam uma unidade do SUV compacto equipada com o novo motor para nossa avaliação padrão de uma semana.

Mas, antes de falar do motor, vamos abordar as poucas novidades que vieram na linha 2023 para o Duster:

As versões Intense e Iconic passam a vir com as capas dos retrovisores, barras de teto e aplique do para-choque dianteiro em preto, além de um desenho mais discreto para os bancos dianteiros sem o nome Duster bordado. E isso é tudo!

O novo motor só está disponível na versão Iconic TCe, a nova top de linha, que custa R$ 138.790, exatos 14 mil reais a mais do que a Iconic equipada com motor 1.6 aspirado!

As mudanças foram pouquíssimas e, para piorar, elas mostram que a Renault parece estar alheia ao que vem acontecendo ao seu redor.

Além do novo motor (que é um forte chamariz) só estar disponível em uma versão, a marca não revisou pontos importantes destacados até agora, tanto pelos clientes quanto pela imprensa especializada.

Por fim, a marca não fez absolutamente nada diante do resultado de zero estrelas no último crash test do modelo realizado em agosto de 2021, pelo instituto Latin NCAP.

Leia as avaliações dos concorrentes diretos do Renault Duster 2023:

Renault Duster 2023 recebe motor mais forte desde que estreou no Brasil!

Foto do motor 1.3 TCe turbo do Renault Duster 2023

Passando para debaixo do capô, a grande estrela da linha 2023 do Duster é o bloco 1.3 da família TCe (sigla de Turbo Control efficiency), de quatro cilindros, que vem importado da Espanha já pronto para trabalhar com etanol ou gasolina.

Ele é capaz de gerar até 170 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, aliado unicamente a uma transmissão automática do tipo CVT, que conta com simulação de oito marchas no modo manual. A tração é somente dianteira.

Trata-se do motor mais forte já utilizado em um Duster brasileiro, o que melhorou consideravelmente o comportamento do SUV compacto em todas as circunstâncias de uso. Com ele, o Duster vai de 0 a 100 km/h em cerca de 9 segundos e pode atingir velocidade máxima de 190 km/h.

A diferença aumenta ainda mais se comparado ao motor 1.6 SCe, naturalmente aspirado, que equipa as demais versões e está no Duster desde 2017.

Fabricante falha em não adicionar equipamentos na versão mais cara do SUV.

Foto da central multimídia do Renault Duster 2023.

Falando de equipamentos, a versão Iconic TCe do Renault Duster 2023 traz exatamente os mesmos itens da Iconic padrão com motor 1.6 aspirado.

A lista de recursos contempla:
  • Controles de tração e estabilidade;
  • Airbags duplos frontais;
  • Sensores de ré;
  • Câmeras em 360 graus;
  • Rodas aro 17 com acabamento diamantado;
  • Ar-condicionado digital;
  • Monitoramento de pontos cegos;
  • Piloto automático;
  • Sensor crepuscular;
  • Faróis de neblina;
  • Central multimídia com tela de 8 polegadas;
  • Entre outros.

O único opcional é o kit Outsider que traz apliques plásticos extras nas laterais e faróis de milha (longo alcance) por R$ 1.400.

Não é uma lista necessariamente ruim se considerarmos o posicionamento do Duster, que sempre esteve abaixo do Captur, mas não recebeu nenhuma novidade diante dos constantes aumentos de preço e, mais uma vez, dos fatos já constatados pelo público em geral.

Nem mesmo os airbags laterais que equipam Kwid e Sandero foram introduzidos ao SUV que custa bem mais do que ambos os compactos.

Novo motor do Renault Duster 2023 tem desempenho melhor e consome menos combustível!

Rodamos pouco mais de 500 km durante os sete dias com o Renault Duster 2023 mais potente e, de fato, o SUV se transformou quase que completamente com o novo bloco.

De modo geral, o comportamento continua bastante comedido e totalmente voltado ao conforto, mas o 1.3 turbo entrega todo seu torque já aos 1.600 rpm.

Isso faz com que o SUV ganhe velocidade rápido e deixe os demais veículos para trás sem esforço, mas de maneira muito linear e suave, mesmo sem o modo ECO ativado.

Segundo a Renault, as retomadas do 1.3 turbo são 36% melhores do que as do 1.6 aspirado e isso se deve, além da entrega de torque bem mais cedo, aos 50 cv e 11,3 kgfm a mais de potência e torque máximos disponíveis no motor menor.

A melhor parte é que mesmo entregando um desempenho muito superior, o consumo de combustível no 1.3 turbo consegue ser até melhor que o do motor 1.6 aspirado: rodando apenas com gasolina, nossa média geral foi de 13,8 km/l em percurso misto.

Foto do painel e volante do SUV da marca francesa.
O que também agradou bastante no Duster foi o conjunto de suspensão. Apesar de manter a construção por eixo de torção na traseira, esse continua sendo um dos pontos altos do modelo.

Buracos, quebra-molas e demais obstáculos da pista são superados sem qualquer dificuldade, batidas secas ou fim de curso dos amortecedores, fazendo do Duster um dos modelos mais indicados para quem costuma trafegar por pisos ruins.

Isso vale para os freios que até cumprem seu papel, mas que deveriam ter recebido discos na traseira.

O interior do Renault Duster 2023 recebeu melhorias no acabamento:

Foto do acabamento dos bancos traseiros do Renault Duster 2023.

Um dos pontos que mais sofreram mudanças na troca de geração do Duster foi a cabine. Não sobrou nada do modelo antigo e quase dá para dizer que o SUV subiu de categoria, tamanha a diferença entre as gerações.

Embora o plástico continue predominante, a seleção de materiais melhorou bastante, com peças mais agradáveis tanto ao toque quanto ao visual.

Tudo complementado por bonitos detalhes prateados em volta das saídas de ar e tecidos em cinza nas portas dianteiras.

Em contrapartida, só há uma porta USB em toda a cabine e as portas traseiras são inteiramente em plástico, apresentando um aspecto visual mais simples.

O Duster 2023 é bom, mas falha na segurança!

O grande vacilo do novo Duster é a segurança a bordo. Tirando o monitoramento de pontos cegos, não há nenhum recurso extra além das luzes diurnas em LED, dos mandatórios airbags duplos frontais e dos controles de tração e estabilidade.

Nem as assistências semiautônomas presentes em alguns rivais, como a frenagem autônoma de emergência e o assistente de permanência em faixa, estão presentes no Renault Duster 2023.

Essas faltas somadas ao fato da estrutura instável, segundo o protocolo divulgado pelo instituto responsável, resultaram na nota mais baixa possível em um teste de colisão, algo inadmissível nos tempos atuais.
Foto do design da parte traseira do SUV.

No final das contas, o motor turbo chegou para dar ao Duster um comportamento digno dos integrantes do primeiro escalão dos SUVs compactos, mas não é suficiente para nos fazer esquecer dos pontos fracos do modelo.

Pode ser uma boa opção para quem não prioriza espaço interno, tecnologia ou segurança embarcada, mas quer um veículo para usar diariamente sem se preocupar com as inúmeras intempéries do nosso asfalto.

O motor 1.3 TCe sozinho não é suficiente para alavancar as vendas, muito menos para tornar o Duster uma opção mais interessante do que seus rivais diretos, mas é, sem dúvidas, uma boa novidade que os donos do SUV deveriam experimentar.

Outros concorrentes diretos do Renault Duster 2023

Chevrolet Tracker

Volkswagen Nivus

Jeep Renegade

Hyundai Creta

Volkswagen T-Cross

Peugeot 2008