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Testamos o Renault Captur 2022 por uma semana, veja todos os detalhes!

No mercado brasileiro, os SUVs compactos se dividem em dois níveis: os mais baratos, que vão até a faixa dos R$110 mil, e os mais caros que podem chegar aos R$160 mil. Alguns fabricantes possuem modelos para atuar nas duas faixas, como é o caso da Renault, que vende o Duster no nível mais barato e o Captur no mais caro. Mais antigo, o Duster se renovou no ano passado enquanto que o Captur passou por um facelift de meia-vida em julho deste ano. 

O Renault Captur seguiu o caminho inverso do Duster, que ganhou uma nova geração e mudou profundamente por dentro e por fora, mantendo o conjunto mecânico do modelo anterior. O Captur mudou pouco visualmente, mas recebeu o novíssimo motor 1.3 TCe, um bloco desenvolvido em parceria com a Mercedes-Benz e inédito na gama brasileira da Renault. Sendo Flex e turbinado, ele gera até 170 cv e 27,5 kgfm e foi muito aguardado para esse modelo, desde seu lançamento no exterior. 

Para 2022, o Renault Captur passou por leves mudanças visuais, que só os mais atentos vão perceber: 

Externamente, elas se concentram na dianteira e se manifestam na nova grade com filetes seccionados, além do novo para-choque com luzes diurnas/de posição em formato mais dinâmico. Há uma barra de LED contínua feita em volta dos novos faróis de neblina, que passaram a ser por projetores de LED. A versão Iconic ainda conta com inéditos faróis Full LED, exclusivos dela, e as mesmas rodas aro 17 do novo Duster. 

Internamente, o Captur veio com materiais mais nobres, para melhorar a sensação do habitáculo. Há uma porção maior de tecido nas portas e, no painel, novos enxertos do tipo “soft touch” que, na versão Iconic, são de couro na cor “Marrom Castanyera”. A marca também incluiu o novo volante, que estreou no Sandero facelift, e elementos em black piano. Além de detalhes que imitam alumínio no volante, console central e emoldurando as saídas de ar-condicionado. 

Se você está pensando em comprar um Renault Captur usado, é melhor prestar atenção nesta dica:

Antes de comprar, faça a consulta completa do histórico do veículo! Assim você não corre o risco de adquirir um carro roubado, batido, de leilão, ou que tenham qualquer outro problema que pode impedir a compra!

Oferecido em três versões, a que os nossos parceiros do Volta Rápida receberam para avaliar por uma semana é a Iconic: 

A topo de linha que custa R$139.690 e não tem opcionais, mas cobra a mais por qualquer cor que não seja o Branco Glacier: a mistura de Bronze Sable com teto em Preto Nacré, como na nossa unidade de teste, sai por R$3.200 à parte. 

A lista de itens de série inclui:  

  • Quatro airbags; 
  • Controles de tração e estabilidade; 
  • Sistema de som premium da Bose; 
  • Faróis Full LED com ajuste elétrico de altura; 
  • Sensores de chuva e crepuscular; 
  • Câmeras MultiView em 360º; 
  • Central multimídia EasyLink com tela touchscreen de 8” e espelhamento para smartphones; 
  • Monitoramento de pontos cegos e de pressão dos pneus; 
  • Sensor de ré, entre outros.

Com o novo motor, a Renault deixou claro que tem duas pretensões para o Captur 2022: 

Distanciá-lo ainda mais do Duster e fazer o povo brasileiro esquecer o passado do francês. Não à toa, as três versões do Captur atualizado são vendidas com o 1.3 turbinado, tirando de cena o antigo 1.6 SCe aspirado (que ainda equipa o Duster) e o 2.0 que já havia sido retirado há mais tempo. Aliado ao novo motor, temos a conhecida transmissão automática X-Tronic, do tipo CVT, mas atualizada para gerenciar o novo bloco e capaz de simular oito marchas, contra seis do modelo antigo. 

De fato, ao volante do SUV compacto é perfeitamente possível esquecer o modelo anterior. O novo motor condiz muito mais com a proposta/preço do Captur e leva o modelo com extrema eficiência e serenidade. Além da alta entrega de potência, o mérito também vai para o torque de robustos 27,5 kgfm disponíveis aos 1.600 rpm. Isso é mais do que os 25,5 kgfm do 1.4 TSI da Volkswagen (antigo recordista da categoria) e os 24,5 kgfm do 1.6 THP utilizado por Peugeot e Citroën. Como o aumento de peso foi ínfimo em relação ao 2.0, o novo motor não encontra obstáculos na hora de levar o Captur. 

A parte ruim do novo motor é que, mesmo aliado a um câmbio CVT, o nível de consumo de combustível não é dos melhores.  

Nossa média geral, com etanol no tanque e percurso misto, foi de 10,5 km/l, consideravelmente mais baixa do que é possível conseguir com alguns rivais turbinados abastecidos com o mesmo combustível. Parte da culpa se dá pela calibragem da transmissão que, por ser extremamente conservadora, exige que o motorista pise mais fundo com frequência para realizar ultrapassagens ou outras tarefas que necessitem de força. 

Um ponto positivo da atualização é que o acerto de suspensão não se perdeu. O Captur sempre superou os obstáculos e defeitos da pista com bastante eficiência e o modelo atualizado continua assim, levando os condutores com conforto e silêncio a bordo. Entretanto, com um vão livre de 21 cm, ele é um dos mais altos da categoria e exige atenção redobrada em curvas feitas com mais velocidade, pois a carroceria pode apresentar rolagem excessiva. 

O Captur é, para muitos, um dos SUVs compactos mais bonitos do mercado e parece que a Renault se baseou nisso para mexer pouco no visual do francês.  

De fato, o facelift realçou sua beleza, mas não tirou o ar de “cansado” dos quatro anos sem mudanças significativas. Laterais e traseira não sofreram qualquer alteração, a não ser pelo discreto emblema TCe que adorna o canto inferior direito da tampa do porta-malas. 

O mesmo pode se dizer do interior que, embora ostente novos materiais e volante, ainda conta com velhos conhecidos como o painel de instrumentos, comando de ar-condicionado automático igual ao do Sandero, saídas verticais de ar no centro do console (com comandos pouco ergonômicos) e espaço interno limitado. Os passageiros de trás ganharam duas portas USB no console central, mas as saídas traseiras de ar, presentes em alguns rivais, fizeram falta. 

Outro ponto em que o Renault Captur 2022 deveria ter melhorado é a construção.  

Ao invés de ser montado sobre a plataforma B0 Plus, criada para o novo Duster, ele continua utilizando a antiga B0 do primeiro modelo que, sendo uma plataforma de baixo custo, fica devendo em qualidade construtiva e tecnologias de segurança. A plataforma B0 Plus utiliza uma arquitetura eletrônica mais moderna e passou por atualizações estruturais que cairiam como uma luva na reestilização do francês. 

Ainda assim, além do novo motor, os novos itens de série melhoraram bastante o dia-a-dia com o Captur. Os faróis Full LED são superiores aos halógenos das demais versões e, junto dos faróis de neblina também em LED, deixam a condução noturna mais segura e agradável. O sistema de monitoramento de pontos cegos é extremamente útil, assim como as câmeras, que, embora estejam em 360 graus na carroceria, não contam com visão simultânea como no Nissan Kicks. Porém, não deixam de cumprir seu papel e auxiliar nas manobras. 

Após sete dias e mais de 700 km percorridos, fica claro que a Renault quer conquistar o consumidor que prioriza desempenho acima de tudo.  

O novo motor deu nova vida para o Captur e deixou a tocada do SUV muito agradável, mas é preciso ter atenção às outras características dele. Além de não estar entre os mais econômicos, a arquitetura eletrônica não é das mais sofisticadas, o que o faz dever itens de série e desagradar a quem gosta de tecnologia embarcada. 

A sensação que fica é a de que ele precisava de mais novidades para, enfim, ser um produto competitivo. É verdade que seu preço se nivela ao dos concorrentes equipados com motor 1.0 turbo, mas a categoria de SUVs compactos pede mais do que um bom motor. Sendo o principal e/ou único carro de muitas famílias, os carros desse segmento precisam entregar um pacote completo de conveniências que o Renault Captur ainda não é capaz de oferecer. 

Saiba mais sobre o Renault Captur 2022 neste vídeo:

Principais concorrentes diretos 

Jeep Renegade 

Honda HR-V 

Chevrolet Tracker 

CAOA Chery Tiggo 5X 

Volkswagen T-Cross 

Nissan Kicks 

Hyundai Creta 

Citroën C4 Cactus 

Peugeot 2008