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Descubra agora como foi nosso teste de uma semana com o novo Nissan Versa!

Você já ouviu falar em downsizing? Essa é uma tendência automotiva iniciada há pouco mais de dez anos, que aposta em motores menores capazes de render tanto desempenho quanto motores bem maiores e mais antigos.

O segredo por trás desse rendimento extra é a sobrealimentação – indução forçada de ar que visa enriquecer a mistura ar/combustível a fim de ocasionar uma combustão mais forte, consequentemente, fazendo o motor atingir picos maiores de potência e torque, para melhorar o desempenho.

Na verdade, a prática de sobrealimentar motores é muito antiga, mas só ganhou força e popularidade mundial nos últimos anos.

Apesar disso, seja por falta de confiança ou apenas gosto, ainda existem consumidores que preferem os motores de aspiração natural que vêm perdendo espaço diante não apenas do downsizing, mas também da eletrificação. No Brasil, já temos modelos que só são vendidos com motores sobrealimentados, geralmente por turbocompressor, o que reduz as opções de quem não quer aderir a essa tendência.

Felizmente, alguns fabricantes ainda fazem produtos voltados a esse público e nosso teste da vez é com um desses produtos: trata-se do novo Nissan Versa, cedido gentilmente pela marca aos nossos parceiros do Volta Rápida para a avaliação padrão de uma semana.

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Entre os principais detalhes, nenhuma mudança mecânica!

O novo Versa não é inteiramente novo, pois as alterações foram muito mais visuais e tecnológicas. Mecanicamente, ele manteve a plataforma V compartilhada com os Nissan March e Kicks, além da geração anterior do próprio Versa, bem como o motor 1.6 flex aspirado de quatro cilindros, também dividido com os irmãos de plataforma.

Tanto a transmissão manual de cinco marchas quanto a automática CVT também são as mesmas de sempre e a versão de entrada Sense, nossa avaliada da vez, é a única que traz ambas como opções.

A manutenção da plataforma fez com que o Nissan Versa mantivesse, praticamente, todas as mesmas medidas do modelo anterior. Em uma comparação direta a geração mais atual possui os mesmos 4,49m de comprimento, 1,74m de largura (5cm a mais), 1,46m de altura (4cm a menos), 2,62m de entre-eixos (2cm a mais) e 466 litros de porta-malas (6 litros a mais).

Foto da parte traseira do Nissan Versa.

O tanque de combustível continua sendo de 41 litros e o peso aumentou pouquíssimo: apenas 14kg em comparação ao modelo antigo na mesma configuração. Já as bitolas aumentaram 4cm na dianteira e 5cm na traseira, o que melhorou a estabilidade.

Novo Nissan Versa tem bom desempenho, é econômico, mas poderia ser mais equipado!

Custando R$ 93.890,00 na versão inicial, o Versa Sense com câmbio manual não traz opcionais, mas cobra a mais por qualquer cor que não seja o Preto Premium ou o Branco Aspen. Nosso carro de teste, por exemplo, traz a cor Branco Diamond, que custa R$1.600 à parte.

A lista de itens de série da versão engloba equipamentos como:
  • Seis airbags;
  • Controles de tração e estabilidade;
  • Rádio com conexão Bluetooth;
  • Sensores traseiros de estacionamento;
  • Rodas aro 15 de ferro com calotas;
  • Volante multifuncional com ajustes de altura e profundidade;
  • Chave presencial com partida por botão;
  • Ajuste elétrico de altura dos faróis.

É interessante observar que a Nissan manteve os itens fundamentais de segurança até na configuração de entrada. Entretanto, custando quase 100 mil reais, o Versa Sense deveria ser mais equipado. Sentimos falta das essenciais luzes diurnas, além dos faróis de neblina, rodas de liga leve e a central multimídia, que deveriam compor o pacote de um carro desse preço.

Debaixo do capô do novo Versa se encontra o conhecido motor 1.6 “HR16DE”, naturalmente aspirado com quatro cilindros e flex, capaz de produzir até 114cv e 15,5kgfm quando abastecido com etanol, números capazes de levar o sedan compacto de 0 a 100 km/h em 11 segundos e atingir uma velocidade máxima de 183 km/h.

Imagem representativa do motor do carro Nissan Versa.

Ele tem um rendimento inferior ao dos blocos 1.0 turbinados de alguns concorrentes, mas que conduz o sedan muito bem e com ótima autonomia. Nossa média geral de consumo foi de 16,3km/l com gasolina no tanque, percurso misto e ar-condicionado ligado.

O baixo peso do sedan também ajuda no desempenho satisfatório, embora seja importante lembrar que se trata de um motor aspirado, o que torna as reduções de marcha obrigatórias em todas as situações que exigem mais força, uma vez que o torque máximo só se manifesta em altos 4.000 rpm.

Para ajudar na tarefa, a transmissão de cinco marchas é bem escalonada e possui engates diretos, curtos e firmes, deixando a condução bastante agradável. Só não é melhor por conta do pedal da embreagem que deveria ser mais leve, pois seu peso acima da média acaba por cansar a perna esquerda no uso intenso, como em congestionamentos, por exemplo.

Visual sofisticado e ‘agressivo’ chama atenção no novo Nissan Versa

A evolução visual do Versa é nítida e foi muito bem recebida pelo público em geral. O modelo trouxe o design do atual Micra (antigo March) com linhas mais ‘maduras’, repletas de quinas, vincos e demais detalhes que deixam o desenho mais sofisticado, além de agressivo. Ele chega a lembrar a atual geração do Sentra que não é comercializada no Brasil.

Já o interior é bem mais modesto e conhecido do brasileiro, afinal, conta com cerca de 95% dos elementos da cabine do Kicks: painel de instrumentos (tanto o analógico quanto o parcialmente digital), controles de ar-condicionado, sistema de infotenimento e comandos diversos.

Foto do interior do Nissan Versa, que foca principalmente em mostrar os bancos do carro.

Todos eles pertencem ao Kicks, com exceção de detalhes mínimos para dar um pouco de personalidade própria ao sedan. São exclusivos dele, por exemplo, os apliques espalhados pela cabine que imitam o desenho da fibra de carbono, algo que parece ter vindo direto das lojas de acessório e customização automotiva.

Apesar do conservadorismo mecânico, Nissan fez um carro agradável de se dirigir!

Rodamos 500 km ao longo dos sete dias com o novo Nissan Versa e deu para atestar a evolução do sedan em diversos aspectos. Além da economia de combustível, o que também agradou foi a dirigibilidade.

É fato que a plataforma V não é das mais modernas do mercado, mas ela mostra que ainda possui competência suficiente para fazer do Versa um carro relativamente esperto, gostoso de guiar e seguro, especialmente agora que os tão aguardados controles de tração e estabilidade se encontram presentes de série desde a configuração mais barata.

Imagem da visão do motorista no caro Nissan Versa, colocando em perspectiva o volante e o painel do veículo.

Dotado de eixo de torção na traseira e freios a disco somente nas rodas dianteiras, o Versa se posiciona na média dos rivais diretos, mas traz uma característica incômoda para quem precisa andar com o carro cheio: a suspensão traseira tende a abaixar excessivamente com o carro pesado.

Isso faz o veículo raspar em quebra-molas com facilidade e “rouba” parte do poder de absorção dos defeitos da pista. Com o carro vazio, entretanto, o conjunto se comporta com decência e proporciona um rodar confortável sob medida, nem pior e nem melhor do que os concorrentes.

Alguns extras interessantes, mas uma ausência importante:

O Nissan Versa traz três portas USB, sendo uma para os ocupantes dianteiros e duas para os traseiros, além de quatro luzes de cortesia divididas igualmente entre a primeira e segunda fileira de bancos, dois elementos que colocam o sedan numa posição melhor até do que o Kicks, que é mais caro e sem esses itens.

Também agradam os detalhes na cor creme que adornam as abas dos bancos e a parte central do painel, mas apenas visualmente: o acabamento é composto pela mesma quantidade de plástico encontrada nos rivais. Não espere por porções em material macio ao toque ou detalhes mais nobres.

O sistema de som é simples e bastante funcional, principalmente por trazer conexão bluetooth ou via cabo auxiliar, mas uma central multimídia poderia permitir o espelhamento de smartphones e possibilitar a presença da câmera de ré, itens tão estimados pelos consumidores hoje em dia.

Apesar dos pontos destacados, é possível conviver com todos os ‘cortes’ do Versa mais barato, exceto um: a inexplicável ausência de luzes diurnas. Com a obrigatoriedade do equipamento prevista para o futuro a curto prazo, não há motivo para a Nissan tê-la deixado de fora, principalmente se tratando de um carro lançado há menos de dois anos.

O novo Nissan Versa vai bem no que promete e é boa opção entre os sedans!

No final das contas, o contato com o novo Nissan Versa foi agradável e o sedan se mostrou competente a tudo o que se propõe. Possui seus deslizes como todos, mas nenhum deles é grave o suficiente para torná-lo uma compra desvantajosa.

Vale acrescentar que, com a renovação, ele passou a ser dono de um dos maiores entre-eixos da categoria, perdendo somente para o Volkswagen Virtus e o Renault Logan.

Imagem representativa do carro Nissan Versa, em sua parte dianteira.

Apesar disso, se gostou muito do modelo, nossa dica é: invista um pouco mais e leve a versão com câmbio CVT para casa. Por 7.100 reais a mais, o Versa Sense CVT mantém o bom nível de economia de combustível, sem sacrificar o desempenho, além de trazer comodidades a mais como o piloto automático e o apoio de braço frontal. O Sense manual só faz sentido se você fizer muita questão de passar as marchas e usar pouco o veículo.

Principais concorrentes diretos

Fiat Cronos

Hyundai HB20S

Chevrolet Onix Plus

Volkswagen Virtus

Honda City

Toyota Yaris Sedan

Assista o vídeo abaixo e confira mais detalhes sobre o Nissan Versa!