O “jipão” está de volta! Avaliamos o Jeep Commander turboflex meses após a versão turbodiesel ter passado por aqui. O modelo retorna ao nosso review com sua versão Overland, a top de linha, mas equipada com um conjunto mecânico mais barato.

O motor 1.3 turboflex que equipa essa versão do Jeep Commander estreou no facelift do Fiat Toro e também está em outros Jeep. O modelo recebeu ainda o câmbio automático de seis marchas e tração apenas dianteira.

Há alguns meses tivemos nosso primeiro contato presencial com o Jeep Commander, o inédito SUV de sete lugares da marca, em sua versão de entrada, a Limited.

Ela era equipada com um conjunto mecânico mais caro, composto pelo conhecido motor 2.0 turbodiesel, câmbio automático de nove marchas e tração integral seletiva.

Na ocasião, constatamos as muitas qualidades do novato, após sete dias de uso constante, apontamos alguns defeitos bastante incômodos, mas conseguimos entender o motivo do seu sucesso e das filas de espera.

Mas será que o Jeep Commander turboflex teve o mesmo desempenho? Confira em mais um teste realizado por nossos amigos do canal Volta Rápida, que receberam o carro da Stellantis para esta avaliação.

Commander Overland T270 é uma das variações de topo de linha do modelo!

Foto do capô aberto mostrando o motor do Jeep Commander turboflex.

Tabelada atualmente em R$ 257.990, a variante Overland T270 se posiciona exatamente no meio da gama do Jeep Commander.

Ela custa quase 26 mil reais a mais do que a Limited T270 e quase 31 mil reais a menos do que a Limited TD380.

Vale lembrar que o código T270 se refere ao motor 1.3 turboflex, fazendo menção ao torque máximo em Newton-metro (Nm), enquanto o TD380 se refere ao motor turbodiesel e segue o mesmo princípio.

Já em relação à Overland TD380, configuração mais cara de todas, a diferença é de expressivos 55.900 reais, que só se justificam se o comprador fizer muita questão do sistema de tração integral seletiva ou se pretende ficar muito tempo com o carro, a fim de fazer a diferença de preço se pagar no uso.

O motor 1.3 entrega muito torque, mas não é tão versátil e econômico

Foto do painel, da central multimídia e do volante do SUV da Jeep.

Vamos começar pelo conjunto mecânico. O Jeep Commander é o maior modelo (atualmente) construído sobre a plataforma Small Wide e, debaixo do capô dessa variante, traz o inédito 1.3 GSE/Firefly turbo flex com quatro cilindros em linha, capaz de gerar até 185 cv e 27,5 kgfm de potência e torque máximos.

Esse motor também equipa os atuais Renegade e Compass, e agrada pela farta entrega de torque, disponível integralmente entre 1.750 e 4.000 rpm.

Ele é controlado por uma transmissão automática convencional de seis marchas, que transfere sua força para as rodas dianteiras e é capaz de levar o Jeep Commander turboflex de 0 a 100 km/h em 10 segundos, podendo atingir 203 km/h de velocidade máxima.

Combinado ao consumo geral de 12,7 km/l obtido durante nossa avaliação, em percurso misto e gasolina no tanque, o Commander 1.3 turboflex se mostra ligeiramente mais esperto do que o turbodiesel, mas sem a mesma versatilidade e uma média de consumo de combustível sensivelmente inferior.

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O Jeep Commander turboflex entrega muitos itens de série e acabamento luxuoso!

Foto do interior mostrando o teto solar do SUV turboflex da Jeep.

A versão Overland junta todos os recursos da Limited com alguns mimos muito bem-vindos como:

  • Teto solar panorâmico;
  • Sistema de som da Harman Kardon com 9 alto-falantes e 450w de potência;
  • Ajustes elétricos para o banco do passageiro;
  • Rodas de 19 polegadas com acabamento diamantado.

Por fora, as porções inferiores dos para-choques, para-lamas e saias laterais vêm na mesma cor do restante da carroceria, ao contrário do preto fosco da Limited.

Por dentro, a cor do acabamento depende da tonalidade escolhida para o exterior e pode mesclar preto com marrom ou, como no caso da nossa unidade testada, cinza claro. Assim como a Limited, a Overland não possui opcionais.

No mais, a lista de itens de série da Overland inclui:

  • Sete airbags;
  • Painel de instrumentos 100% digital;
  • Conjunto ótico totalmente em LEDs;
  • Banco do motorista com ajustes elétricos;
  • Ar-condicionado digital de duas zonas com ajuste de ventilação na traseira;
  • Central multimídia com GPS nativo e espelhamento sem fio para smartphones;
  • Acabamento interno mesclando couro, suede e superfícies macias ao toque;
  • Sensores dianteiros e traseiros de estacionamento;
  • Câmera de ré;
  • Assistente de estacionamento;
  • Entre muitos outros.

Também há um conjunto completo de assistências semiautônomas que inclui piloto automático adaptativo, assistente de permanência em faixa com correção de direção, farol alto automático e frenagem autônoma de emergência.

O conjunto mecânico do Commander é bom, mas tem ressalvas

A maior parte do nosso teste foi feito em percurso rodoviário, justamente para vermos como o utilitário de sete lugares se comporta nas condições que mais exigem força.

Mas também o colocamos no uso urbano para analisar o trabalho do pequeno motor turbinado em uma carroceria grande e pesada sob todas as circunstâncias de uso.

Começando pelo uso urbano, o motor não tem qualquer problema para colocar o Jeep Commander turboflex em movimento, exceto por uma ligeira insensibilidade do pedal eletrônico do acelerador, que por sinal, é uma questão recorrente nos carros do grupo Stellantis.

Com todo o torque disponível já aos 1.750 rpm, o Commander se move com facilidade e um pouco de escândalo em alguns momentos em que o câmbio insiste em segurar a marcha presente.

Isso dá a impressão de que o carro quer elevar os giros do motor a uma faixa mais útil de força para movimentar o carro.

Seria um recurso válido em um SUV mais antigo com motor aspirado, mas não há necessidade desse tipo de programação no Commander.

Isso nos faz pensar em como a transmissão de nove marchas encaixaria perfeitamente no conjunto, tal qual a Jeep faz nas versões mais caras do Renegade.

O câmbio do Jeep Commander turboflex pode ser incômodo e acaba falhando nas trocas manuais

Foto do console central do SUV da Jeep.

De fato, o câmbio é o que mais chega a incomodar no Jeep Commander turboflex. O funcionamento dele é bom, no geral, mas sua programação deveria ser melhor.

Além de segurar marchas sem necessidade em momentos variados, o útil recurso de trocas manuais na alavanca ou nos paddle-shifters do volante não funciona o tempo todo.

Foram várias as vezes em que quisemos fazer as trocas manuais, mas o sistema simplesmente ignorou o comando e isso pode colocar o motorista em situações desagradáveis ou até perigosas.

Apesar disso, o pequeno motor 1.3 confirmou que tem competência de sobra para levar o Commander mesmo com o carro cheio.

Assim como nos outros modelos que testamos, o T270 mostrou grande disposição o tempo inteiro, provando ser uma boa opção de mecânica para quem não quer ou não pode bancar o upgrade para o TD380.

Apenas lembre-se que, com o motor mais barato, o Commander passa a ser um veículo 100% voltado para o asfalto.

Embora conte com o TC+ (controle de tração plus), ele não traz recursos para encarar um off-road, mas sim para sair de situações um pouco mais complicadas.

O som da Harman Kardon tem certo exagero nos graves e pode desagradar

No mais, os mimos extras da versão Overland deixaram o convívio diário com o SUV ainda melhor, mas uma ressalva ao sistema de som premium é necessária.

Mesmo com o equalizador ajustado para as frequências graves no mínimo, as batidas são muito fortes e podem incomodar bastante dependendo da música, algo que não é comum aos sistemas desenvolvidos pela Harman Kardon.

A impressão é que estamos diante do som Beats já utilizado há mais tempo pela Jeep.

O jeep Commander turboflex entrega espaço, itens e acabamento interno dignos de carro premium!

Foto dos bancos da frente do Commander turboflex.

Feitas as ressalvas, o Jeep Commander turboflex 1.3 é digno dos mesmos elogios feitos ao 2.0.

O SUV é muito bom de dirigir e passa pelos obstáculos da pista como se mal estivessem ali, mostrando um trabalho primoroso de suspensão, mesmo sem o complexo conjunto da tração seletiva.

As acomodações são excelentes na primeira e na segunda fila, sendo apenas medianas na terceira fila e mais indicadas para crianças.

O acabamento interno do utilitário é digno dos produtos de marca premium, mesclando detalhes prateados imitando alumínio, com superfícies em preto brilhante que, aliadas ao revestimento bicolor, criam uma cabine agradável aos olhares e toques de todos.

Beirando os 260 mil reais, depois do último reajuste na tabela promovido pela Jeep, o Commander Overland T270 continua oferecendo uma relação custo-benefício quase insuperável que justifica sua liderança na categoria.

Quando comparado aos outros modelos de sete lugares disponíveis no Brasil atualmente, principalmente os mais tradicionais construídos sobre chassi, o Jeep Commander se destaca por dois motivos-chave: custa bem menos e entrega muito mais tecnologia.

Curiosidades

1 – O nome Commander é bem mais antigo do que muitos pensam. Ele foi utilizado em um carro-conceito da Jeep apresentado em 1999 e, anos depois, em um outro SUV de sete lugares que não possui relação alguma com o modelo que temos atualmente no mercado brasileiro.

2 – Na Índia, o Commander recebe o nome de Meridian e conta apenas com motor turbodiesel, mas pode ser comprado com transmissão manual de seis marchas.

3 – Apesar de ter relação direta com o Compass, muito do design do Commander vem da atual geração do Grand Cherokee, prevista para ser lançada no Brasil em um futuro a médio prazo.

Isso se deve ao posicionamento do utilitário, pensado para tentar atrair clientes de marcas premium.

Quer saber ainda mais sobre o Jeep Commander turboflex? Confira o vídeo abaixo!

Outros concorrentes diretos

CAOA Chery Tiggo 8

Mitsubishi Outlander

Mercedes-Benz GLB