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Testamos a Ford Ranger Black 2022 por uma semana, veja o que nós achamos desse modelo! 

Um dos acontecimentos automotivos mais chocantes de 2021, para o mercado brasileiro, foi, sem sombra de dúvidas, o encerramento das atividades fabris da Ford. A norte-americana foi a primeira indústria do segmento a se instalar no país, no ano de 1919, e anunciou o encerramento da produção de veículos no Brasil logo no começo desse ano, fechando as plantas de Taubaté (SP) e Camaçari (BA). Contudo, isso não significa que ela deixou o país, mas sim que sua estratégia mudou. 

A fim de reforçar a relação com o consumidor brasileiro, buscando estreitar os laços abalados pelo fantasma da desconfiança, a montadora tem apresentado diversos lançamentos em variados segmentos, mas sempre vindos de outros países. Entre eles podemos citar o Mustang Mach 1, importado dos Estados Unidos, o Bronco Sport (que nossos parceiros do Volta Rápida avaliaram há alguns meses), vindo do México e, abrindo a nova fase da Ford no país, a Ranger Black 2022, montada na Argentina. 

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A configuração Black faz parte da linha 2022 da picape e é inédita na gama, baseando-se na já existente XLS, com tração apenas traseira (4×2).  

Custando R$ 210.290, ela é R$ 10.100 mais cara do que a XLS 4×2 e quase R$ 30 mil mais barata do que a XLS 4×4, mas traz mais equipamentos do que ambas e o mesmo conjunto mecânico composto pelo motor 2.2 turbodiesel e câmbio automático de seis marchas. 

O grande apelo da versão Black é o visual. Como o nome sugere, quase tudo na picape configurada nessa variante vem na cor preta, com acabamento brilhante: grade dianteira, apliques de para-lamas, capas dos retrovisores, maçanetas, rodas… até mesmo a carroceria, que só pode ser pintada na cor Preto Gales, de acabamento perolizado, que não possui custo algum. É uma tendência chamada de “chrome delete” no mundo da customização automotiva, que foi alvo de elogios nas ruas durante nosso teste. 

Embora seja baseada na versão XLS 4×2, a Ranger Black 2022 é um pouco mais equipada e não possui opcionais, assim como as demais versões.  

Sua lista de itens de série engloba: 

  • Sete airbags; 
  • Ar-condicionado de duas zonas; 
  • Multimídia SYNC 3 com espelhamento para smartphones; 
  • Faróis de neblina; 
  • Sensores de estacionamento traseiros; 
  • Câmera de ré; 
  • Piloto automático, entre muitos outros. 

Em relação à variante da qual é derivada, a Black traz a mais: estribos laterais, rodas aro 18 e uma série de acessórios para a caçamba, que incluem proteção plástica completa, santo antônio com iluminação dedicada em LED e uma tampa rígida com acionamento eletrônico via controle remoto. Apesar de boa, a lista de equipamentos deixa algumas faltas incoerentes para um carro de mais de R$ 200 mil, como a ausência de luzes diurnas (DRL) e de sensores dianteiros de estacionamento, por exemplo. 

Falando da parte mecânica, o motor que se abriga debaixo do capô da versão Black é o conhecido 2.2 TDCi “Duratorq”. 

É um bloco a diesel, de quatro cilindros, sobrealimentado por turbocompressor, que gera até 160 cv e 39,3 Kgfm e é controlado por uma caixa automática de seis velocidades. A opção pela tração somente traseira se deu pela proposta da picape, voltada ao uso 100% no asfalto. 

Esse motor, leva o Ranger Black 2022 de 0 a 100 Km/h em pouco mais de 12 segundos e garante a velocidade máxima de até 165 Km/h. Além disso, a capacidade de carga na caçamba é de 1.168 Kg e a de reboque pode chegar a 2.750 Kg, mas somente com freio. Sem freio, ela se limita a 750 Kg. Não são números ruins para um veículo que pesa 2,03 toneladas. 

O 2.2 também se mostra mais adequado do que o 3.2, disponível nas versões mais caras, para quem usa muito o carro. Ele é mais econômico, mais silencioso (embora ainda apresente o ronco forte característico dos motores a diesel) e não deixa a desejar quando é exigido. Nossa média geral de consumo ficou em 13,4 Km/l, obtida em percurso misto, mas com maior parte em trecho rodoviário, com duas a quatro pessoas a bordo. 

A transmissão de seis marchas fornecida pela alemã Magna (antiga Getrag) cumpre seu trabalho com maestria quase o tempo todo.  

Geralmente, nas saídas, ela tende a esticar mais as marchas, como se a picape estivesse carregada o tempo todo, o que não é necessário para se extrair força do motor, uma vez que os 39,3 Kgfm de torque máximo já se manifestam integralmente aos 1.600 rpm. 

Basta ganhar os primeiros quilômetros com o Ranger Black para ver tanto o 2.2 turbodiesel quanto o câmbio automático começarem a trabalhar com bastante harmonia. As trocas de marcha acontecem mais cedo e com mais suavidade do que nas saídas, fazendo a picape avançar com uma esperteza surpreendente para um veículo do seu porte. O motorista ainda pode realizar trocas manuais na própria alavanca de câmbio. 

Além disso, a suspensão se comporta de maneira bem mais agradável do que nas irmãs mais caras equipadas com tração integral seletiva. A parte de trás, por exemplo, não fica “quicando” com o carro vazio ao rodar pela estrada, o que deixa as viagens mais confortáveis. Falando em conforto, os massudos pneus 265/60 R18, casados com a suspensão de utilitário, permitem ao condutor passar por qualquer obstáculo, defeito e buraco da pista sem preocupações. 

O interior não foi deixado de lado e mostra como as picapes médias evoluíram ao longo do tempo. 

O painel de instrumentos é o mesmo presente nos finados Fusion e Edge, com um velocímetro analógico e duas telas multifuncionais justapostas a ele, repletas de informações e configuráveis através dos botões no volante, que só tem ajuste de altura, dispensando o de profundidade. 

O que também agrada é o multimídia SYNC 3, superior ao 2.5 presente na XLS 4×2, com tela de oito polegadas e funcionamento fluído, além da boa oferta de funcionalidades. Vale lembrar que a linha 2022 do Ranger traz conectividade com o aplicativo FordPass, através do qual o proprietário pode verificar diversos aspectos do carro de maneira remota, bem como executar funções variadas, como agendar revisões, localizar pontos de interesse (como estacionamentos) e muito mais, na tela do smartphone. 

Após 700 Km rodados ao longo de uma semana padrão de testes, fica claro o objetivo da Ford com o Ranger Black 2022:  

Atrair o consumidor que não abre mão de uma picape movida a diesel com câmbio automático, mas que não faz questão de levar tração 4×4 (pagando uma pequena fortuna a mais por isso) e que acha a XLS padrão pouco equipada pelo preço. Com visual atraente e pacote de itens mais condizente com seu preço, a versão Black se tornou um ótimo custo X benefício dentre as médias. 

Entretanto, para quem raramente vai sair do asfalto ou dos centros urbanos, continua sendo um tipo de veículo muito grande, que se torna inconveniente na hora de estacionar ou de andar por ruas mais movimentadas. O mercado já oferece opções de picapes menores, mais apropriadas para aplicações 100% urbanas, mais baratas e até mesmo mais equipadas. Como sempre gostamos de frisar, é essencial que o consumidor analise seus gostos e prioridades antes de bater o martelo e fechar negócio em um modelo X ou Y. 

Saiba mais sobre a Ford Ranger Black 2022 neste vídeo:

Principais concorrentes diretos 

Nissan Frontier 

Toyota Hilux 

Chevrolet S10 

Volkswagen Amarok 

Mitsubishi L200 Triton