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Veja a avaliação completa que nós fizemos sobre o Ford Maverick 2022 em parceria com o canal Volta Rápida! 

Utilitários são aqueles veículos feitos unicamente para o trabalho, certo? Há alguns anos, a resposta seria sim, mas até mesmo esse tipo de carro precisou se atualizar para sobreviver aos novos tempos, passando por profundas mudanças, para entregar muito mais do que apenas robustez ou uma grande capacidade de carga.  

O utilitário do século XXI, muitas vezes, também acaba sendo o principal veículo da família, por isso, ele precisa ser versátil, combinando conforto, desempenho, economia e, é claro, força para auxiliar na produtividade do proprietário. 

Nossa avaliação da vez é com o Ford Maverick, o mais novo representante desse time de utilitários multifuncionais no mercado brasileiro em 2022!

Essa picape é inédita no portfólio global da marca e foi apresentada ao mundo no ano passado, sendo lançada no mercado brasileiro em fevereiro deste ano.

Ela veio em versão única, importada diretamente do México, onde é fabricada e a montadora cedeu gentilmente um exemplar da novidade para nossa avaliação padrão de uma semana, elaborada pelos nossos amigos do Volta Rápida. 

Foto da traseira e de parte da lateral esquerda do Ford Maverick 2022

O Maverick 2022 causou bastante alvoroço, desde o seu lançamento, por diversos motivos:

O primeiro deles foi o fato de ressuscitar um nome muito conhecido, especialmente entre o público brasileiro, em um modelo que não tem absolutamente nada a ver com o carro que o utilizou pela primeira vez.  

Quem não conhece o clássico Maverick, que a Ford comercializou nos anos 70 em carrocerias sedan e coupé, e que hoje tem status de raridade e é cultuado pelos colecionadores automotivos?
Foto do Ford Maverick dos anos 70 estacionado de frente.
Ford Maverick dos anos 70 (Imagem retirada de banco de dados público digital)

Trazer o nome de volta em uma picape não foi algo tão bem aceito pelos entusiastas e rende debates até hoje. 

Outro dos principais motivos foi o porte do carro, porque o Maverick chegou para ser a nova picape de entrada na gama da Ford.

Ela fica abaixo do Ranger na família de picapes da montadora, que ainda conta com os modelos da série F no mercado estrangeiro.  

Desse ponto de vista, o Maverick deu certo e foi um sucesso quase instantâneo nos Estados Unidos, por exemplo, onde já vende mais do que o Ranger e superou a marca de 100 mil reservas somente em 2021.

Revendedores oficiais da marca relatam que os exemplares zero km da novidade são vendidos em até quatro dias, o que representa um terço do tempo que outras picapes levam. 

Apesar de ser um modelo inédito, o Ford Maverick 2022 reúne uma série de ingredientes já conhecidos:

Sua plataforma, por exemplo, é a mesma C2 que está presente no Bronco Sport que avaliamos no ano passado, além das atuais gerações do Focus e do Escape.

Já o motor que equipa o Maverick brasileiro é o conhecido 2.0 turbo da família EcoBoost, presente em vários modelos de diversas marcas e que já está no mercado há mais de dez anos.  

Foto do capô aberto mostrando o motor do Maverick 2022
Há um 2.5 aspirado híbrido mais barato disponível para o Maverick em outros mercados, mas a Ford optou por trazer apenas o 2.0 ao Brasil por questões de homologação e configuração da picape.

Isso porque, no Maverick, só o motor turbinado pode ser combinado ao sistema de tração integral sob demanda (do tipo AWD) e o pacote FX4 que acrescenta elementos off-road. 

O 2.0 turbinado conta com quatro cilindros em linha e é capaz de gerar até 253 cv e 38,7 kgfm, podendo ser abastecido somente com gasolina e trabalhando com uma caixa automática padrão de oito marchas.

Graças ao sistema de tração integral que distribui a força do motor pelas quatro rodas o tempo inteiro, o Maverick pode ir de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos e atinge velocidade máxima de 177 km/h, oferecendo um desempenho ao qual poucas picapes conseguem se equiparar. 

A versão escolhida para o Maverick brasileiro é a Lariat, vendida como top de linha nos Estados Unidos, acrescida do pacote FX4 off-road, que é oferecido como opcional lá fora, mas que vem de série para nós.  

Pelo preço de R$ 233.310, a lista de itens de série inclui:  

  • Faróis Full LED com farol alto automático; 
  • Ar-condicionado digital de duas zonas; 
  • Multimídia SYNC 2.5 com espelhamento para smartphones via cabo; 
  • Banco do motorista com ajustes elétricos; 
  • Câmera de ré; 
  • Chave presencial com partida por botão; 
  • Sete airbags; 
  • Assistente de frenagem de emergência com detecção de pedestres, entre outros. 
Foto do volante e do painel da picape Maverick da Ford
O pacote FX4, por sua vez, acrescenta: 
  • Rodas aro 17 em preto brilhante com pneus de uso misto; 
  • Sistema de arrefecimento reforçado; 
  • Ganchos expostos para reboque na dianteira; 
  • Seletor de modos de condução com cinco opções; 
  • Assistente de descida; 
  • Engate para reboque na traseira com tomada dedicada.  
A lista contempla recursos básicos de um carro desse preço, mas comete deslizes inexplicáveis, deixando para trás:
  • Sensores traseiros e dianteiros de estacionamento;
  • Retrovisor interno fotocrômico;
  • Carregador de smartphones por indução;
  • Multimídia com espelhamento sem fio;
  • Piloto automático adaptativo.

Existe uma série de carros mais baratos do que o Maverick no Brasil que já contam com tais itens. 

Rodamos cerca de 650 km ao longo dos sete dias que passamos com o Maverick e, logo de cara, o que encanta na picape é sua desenvoltura!

Além de andar muito bem, oferecendo uma aceleração rápida e suave, ele se comporta mais como carro de passeio do que como utilitário.

As reações são diretas, seguras e as respostas do conjunto mecânico às solicitações do motorista são imediatas, algo que não é comum de se ver em carros desse tipo.  

A suspensão independente nas quatro rodas e os freios a disco conferem muita segurança ao volante, deixando o utilitário sobre os trilhos o tempo todo e enfrentando quaisquer defeitos da pista como se mal estivessem ali. 

O nível de economia de combustível também foi uma boa surpresa, pois obtivemos 12,4 km/l rodando em percurso misto, mas chegamos a 14 km/l com a maior parte da condução em rodovia.  

O problema é que todo o desempenho satisfatório no asfalto começa a se perder conforme o chão de terra chega.  

O Maverick até consegue andar pelos pisos mais difíceis sem dificuldade, mas o utilitário simplesmente não pode ser colocado para enfrentar obstáculos como buracos ou valetas/rampas com inclinações mais pronunciadas.

Os ângulos de entrada e saída da picape são pequenos e, com isso, os para-choques podem raspar ou sofrer danos piores. Para um modelo que ostenta os inscritos “off-road” nas laterais, ter deixado um detalhe tão básico passar foi um vacilo feio da Ford. 

Outro ponto que não é comum em picapes e que surpreende no Maverick é o conforto a bordo, sendo possível acomodar quatro adultos na cabine com espaço adequado para todos.  

Os bancos são totalmente revestidos em couro sintético e há apoios de braço, bem como portas USB dedicadas (um padrão e uma do tipo C) para as duas filas de assentos.  
Foto mostrando os bancos de couro e o interior da picape

O interior é todo decorado por plásticos em um tom de azul petróleo, mesclado com porções contrastantes em cinza e pequenos apliques em bronze, com parafusos pretos expostos propositalmente, resultando em um ambiente inusitado e bonito.

Pena que há plástico demais para a cabine de um modelo de mais de 200 mil reais. 

Falando dos recursos tecnológicos, também gostamos do painel de instrumentos com display de 6,5” ao centro, completíssimo de funções.

Mas esperávamos encontrar o multimídia SYNC 3 que traz mais recursos e não o SYNC 2.5, que equipava os extintos Ka e EcoSport, ambos bem mais baratos do que o Maverick.  

Foto mostrando a central multimídia e parte do painel do Maverick 2022

Sentimos falta dos sensores de estacionamento, cruciais em um modelo de mais de 5 metros de comprimento, e de mais recursos de segurança como o sistema de monitoramento de pontos cegos.

Embora a Ford negue a rivalidade, a impressão é que alguns itens foram suprimidos para que o preço do Maverick se aproximasse o máximo possível ao do Fiat Toro na versão Ultra, a mais cara da picape italiana. 

Veja também a avaliação do concorrente direto do Ford Maverick 2022:

No final das contas, o Ford Maverick 2022 se mostrou uma opção interessante para quem dirige por prazer.

Se você procura uma picape apenas para levar coisas que um porta-malas padrão não comportaria, aliando o carro da família ao carro do trabalho em um só, essa é uma boa opção.

Conforto e desempenho se mostraram os pontos altos da novidade americana, fazendo dela uma compra mais adequada para os que não precisam encarar obstáculos maiores fora do asfalto.

É mais barato, melhor de usar na cidade e mais confortável do que qualquer picape de maior porte. 

Mas, se você costuma andar por terrenos difíceis com frequência e precisa de um veículo mais robusto ou versátil, talvez seja melhor esquecê-lo.  

As picapes com motorização turbodiesel vendidas no Brasil costumam oferecer sistemas de tração integral seletiva, do tipo 4WD, que contam com opção de tração reduzida que é essencial em determinadas situações longe do asfalto, além de uma maior capacidade de carga e melhores ângulos de entrada, saída e centrais.

O Maverick agradou no geral, mas se mostrou muito mais on-road do que off-road. 

Saiba mais sobre o modelo 2022 do Ford Maverick neste vídeo:

Concorrentes indiretos

Os “concorrentes indiretos” são modelos de proposta parecida, mas que não competem diretamente. No caso do Maverick, são carros parecidos com preços próximos em uma ou mais versões, mas de outra categoria:

Nissan Frontier 

Mitsubishi L200 Triton 

Ford Ranger