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Conheça um pouco da história do Citroën C4 G1 e suas variações, além dos seus pontos fortes e fracos.

A primeira geração do Citroën C4 estreou oficialmente no Brasil em 2006, dois anos após sua estreia na Europa, para tentar colocar a marca em um cenário mais favorável no mercado nacional, uma vez que sua participação no país era de meros 2%.

A opção pela comercialização do C4 por aqui também se deu por motivos estratégicos, pois o modelo é um produto semelhante ao finado Peugeot 307 com quem compartilha mais de 50% de seus componentes principais, barateando os custos e facilitando a operação geral.

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Design

A primeira geração do Citroën C4 esteve disponível em quatro carrocerias diferentes: hatch, sedan (chamado de Pallas), coupé (chamado de VTR) e minivan.

As três primeiras eram as mais parecidas entre si, compartilhando a maioria de seus componentes até a coluna B, o ponto a partir do qual cada uma se diferenciava por suas construções particulares.

Já a minivan possuía design totalmente exclusivo dela, adotando o sobrenome Picasso (tal qual o antigo Xsara em carroceria minivan) e sendo comercializada em carrocerias de cinco ou sete lugares – esta última, denominada de Grand Picasso.

Começando pelas carrocerias com semelhanças entre si, os C4 hatch, sedan e coupé trazem faróis sempre com acabamento cromado e foco duplo por refletor ou projetor dependendo da versão, ambos interligados pela grade composta de filetes que se unem no logo da marca ao centro.

Os para-choques também são os mesmos, mas o sedan traz a porção inferior em preto fosco para proteger a peça de danos ao raspar em rampas de garagem, uma vez que o comprimento maior da carroceria deixa a dianteira mais suscetível a isso.

Da coluna B para trás, as três carrocerias são bem distintas entre si.

Começando pelo hatch, o teto segue um caimento arredondado até a extremidade traseira e é complementado por lanternas verticais. O coupé apresenta um teto mais alongado, mas que é cortado abruptamente na vigia traseira e complementado pelos grandes vidros laterais de quinas triangulares.

Por fim, o sedan se aproxima do hatch no caimento do teto, mas traz um vistoso porta-malas com lanternas em formato de bumerangue ligadas por um friso cromado. Nos três casos, a placa de identificação do carro fica no para-choque.

Por último, a minivan traz grandes faróis em formato trapezoidal e acabamento cromado, além de um para-choque robusto com porções em preto fosco e muitos vincos demarcando as aberturas das grades e faróis de neblina.

De lado, a grande área envidraçada proporciona muita visibilidade e a linha de cintura traz uma ondulação incomum a partir das portas traseiras, de modo a manter a ideia de ascendência sem deixar as vigias traseiras pequenas demais. Por fim, as lanternas são horizontais na carroceria de cinco lugares e verticais na de sete lugares.

Saiba mais sobre esses temas:

Mecânica

Toda a família do Citroën C4 G1 trouxe um único motor em comum: o bloco 2.0 naturalmente aspirado, dotado de quatro cilindros e quatro válvulas por cilindro, capaz de gerar até 143 cv de potência e 20,4 kgfm de torque nas versões que só utilizam gasolina, ou até 151 cv e 21,6 kgfm nas versões Flex.

É o mesmo motor que equipa modelos da Peugeot, mas teve a companhia de um bloco ligeiramente mais fraco como exclusividade do C4 hatch: o 1.6 aspirado de quatro cilindros que gerava até 113 cv de potência e 15,8 kgfm de torque.

Outras semelhanças se dão pela plataforma PF2 sobre a qual todas as carrocerias são montadas, além dos sempre presentes freios a disco nas quatro rodas e suspensão traseira por eixo de torção.

Falando de transmissão, o 2.0 podia trabalhar com uma caixa manual de cinco marchas ou automática de quatro marchas (a polêmica AL4) que só não foi oferecida na carroceria coupé. Já o motor 1.6 exclusivo do hatch só esteve disponível com a transmissão manual de cinco marchas.

Interior

Passando para a cabine do C4, mais uma vez as semelhanças se mostram entre as carrocerias hatch, sedan e coupé, deixando a minivan com seu design próprio de interior.

O C4 honrou a tradição da Citroën de fugir do senso comum, entregando elementos que não existiam em nenhum outro carro de sua época vendido no Brasil.

Dentre os mais marcantes, destacamos o volante de centro fixo onde apenas o aro e seus raios são movimentados enquanto o “miolo” abriga comandos de funções diversas.

O cluster de instrumentos 100% digital também é inusitado, posicionado no centro-superior do painel e com o visor de conta-giros separado, localizado logo atrás/acima do volante.

Já a minivan, embora compartilhasse de algumas dessas soluções, também buscava inovar com características exclusivas dela.

No painel, por exemplo, se escondem dois grande porta-objetos abaixo das tampas que fazem a superfície de acabamento do tabelier, além dos controles de ar-condicionado descentralizados com displays e regulagens individuais voltados a cada ocupante.

Tecnologia

Se os sedans médios de hoje são carros que esbanjam tecnologia embarcada, o mérito vai para o Citroën C4 G1 que “puxou a régua” da categoria para cima nesse aspecto, trazendo equipamentos que nenhum rival oferecia e que, em muitos casos, só podiam ser encontrados em carros muito mais caros de categorias superiores.

As versões mais baratas já contavam com itens como:
  • Ar-condicionado com saídas e ajuste de ventilação individual na traseira,
  • Freios ABS,
  • Airbags duplos frontais,
  • Trio elétrico (vidros, travas e retrovisores),
  • Ajuste elétrico de altura dos faróis,
  • Porta-luvas refrigerado,
  • Computador de bordo.
Já os C4 mais equipados esbanjavam mimos como:
  • Faróis bixenon adaptativos e direcionais,
  • Ar-condicionado digital de duas zonas,
  • Seis airbags,
  • Sensores crepuscular e de chuva,
  • Faróis de neblina,
  • Rádio com conexão Bluetooth,
  • Retrovisor interno fotocrômico,
  • Sistema de memória de falhas do veículo para facilitar o diagnóstico de problemas.
Quer saber mais sobre o Citroën C4 G1? Confira o vídeo abaixo!

Principais pontos fortes

Equipamentos:

O Citroën C4 G1 foi, por muitos anos, a referência de “carro equipadão” no Brasil a um preço bastante competitivo. É uma opção que deve ser considerada pelos que gostam de veículos recheados de tecnologia embarcada.

Design:

Ache bonito ou feio, ninguém pode negar que os modelos da família C4 têm design diferenciado, o que pode ser uma ótima escolha para os que reclamam da falta de personalidade dos modelos de hoje em dia.

Dirigibilidade:

Mesmo não sendo os carros mais refinados do mercado, os C4 são muito bons de dirigir e conseguem agradar até aos motoristas mais exigentes. Frutos da boa plataforma e da construção decente do veículo francês.

Principais pontos fracos

Câmbio automático:

Fuja dos C4 automáticos. A transmissão AL4 é conhecida por ser frágil e problemática, o que faz com que os carros equipados com ela sofram de índices altíssimos de rejeição em comercializações futuras.

Suspensão:

O C4 é um carro ótimo de ser dirigido até o momento em que o asfalto começa a perder qualidade. A suspensão do modelo parece não ter sido corretamente projetada para as ruas brasileiras, proporcionando uma condução desconfortável e ruidosa em pisos ruins.

Má fama:

O histórico de mau atendimento dos revendedores autorizados deixou os carros franceses mais antigos com a pior fama possível e o C4 é uma dessas vítimas.

Acredite: cuidar dele não é nenhum bicho de sete cabeças, mas muitas oficinas chegam a evitar receber o carro por conta de sua má fama.