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Para quem é leigo, quando alguém fala sobre carros tunados, talvez os primeiros pensamentos que surgem na cabeça são sobre a franquia de filmes Velozes e Furiosos e os jogos de videogame Need For Speed.

Mas você sabia que customizar um veículo vai além das mudanças estéticas e pode ter um caráter funcional no dia a dia? Quem nos explica isso é Fernando Batistinha, proprietário da Batistinha Garage, uma oficina especializada na customização e restauração automotiva.

“Tem gente que sente a necessidade de ter mais desempenho, um som melhor, mais conforto ou uma estética diferente para ser mais exclusivo. Então é muito abrangente essa parte de customização”.

Quais são as customizações mais realizadas?

Hoje em dia, há diversas opções de customização para carros, variando das mais simples e práticas até as mais elaboradas e que demandam tempo e muito dinheiro.

O motorista pode solicitar um envelopamento para modificar a cor do veículo, aplicar adesivos, rebaixar a carroceria, instalar faróis de LED, alterar o desempenho do motor, personalizar o interior, trocar bancos, adicionar algum acessório que o carro não tenha, entre outros.

“Ninguém se veste igual a todo mundo. Cada um tem uma personalidade, um estilo diferente. Para uma parcela da população, o carro é um meio de se locomover apenas e, então, essa pessoa não modifica nada. Já para outra parte, o carro acaba sendo uma expressão de estilo. Então, às vezes, a pessoa modifica alguma coisa na aparência do veículo e coloca uma faixa ou muda uma roda, coloca uma película no vidro”, ressaltou Batistinha.

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“Quando a pessoa pensa em alguma customização, ela precisa considerar quantas vezes essa modificação será utilizada de fato. Às vezes, a pessoa nunca vai usar isso, o que torna algumas modificações sem sentido, pois não atende o seu uso maior no carro. A não ser que a única motivação seja estética mesmo, porque o visual agrada muito. Não dá para julgar”.

Quais são as regras para carros tunados?

Não pense que você pode sair tunando seu carro, achando que não existe uma regulamentação para isso. Qualquer alteração feita no veículo original, deve ser previamente autorizada pelo Detran do seu estado.

Isso significa que, antes de mandar o veículo à oficina para começar as modificações, você precisa solicitar a autorização ao Detran. O departamento fará uma análise para verificar se as mudanças se encaixam nos padrões do Código de Trânsito Brasileiro e, em caso positivo, fará a liberação.

Depois que alteração for feita, ainda será necessário que o carro passe por uma inspeção do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), para a obtenção do Certificado de Segurança Veicular (CSV). Por fim, o carro ainda deverá passar por uma Vistoria de Identificação Veicular.

Vale lembrar que, em caso de mudança da cor em mais de 50% da área do veículo, o motorista precisará emitir um novo CRV (Certificado de Registro do Veículo), atualizando a informação sobre a nova cor.

Mudanças na potência do motor também contam com um limite: o motorista poderá aumentar ou diminuir, no máximo, 10% da potência original.

No entanto, alguns tramites podem mudar no futuro. Desde o final de fevereiro, o Projeto de Lei  410/22 está sendo analisado pela Câmara dos Deputados. A proposta sugere que as modificações feitas nos veículos deixem de depender de uma autorização prévia do Detran.

Nesse caso, o dono do veículo precisaria apenas informar ao departamento as alterações feitas, antes dele voltar à circulação. Isso pode representar uma grande mudança no Código de Trânsito Brasileiro, por isso, o projeto se encontra ainda em fase de análise pelas comissões de Cidadania; Constituição e Justiça e de Viação e Transportes.

Quanto custa modificar um carro?

Como existem diversas modificações, o custo dependerá do projeto de cada carro e, claro, da aprovação dos órgãos competentes e da oficina que vai executar as alterações.

“O cliente pode gastar 200, 300, 500 reais fazendo alguma coisinha no carro só para dar uma aparência diferente ou ele pode acabar gastando 10 vezes o valor do carro em uma personalização”, esclareceu Batistinha.

Fernando Batistinha contou ainda sobre os casos mais famosos de carros tunados, que chegam a custar mais caro do que o veículo novo.

“O exemplo mais forte é o da Singer, uma empresa estadunidense especializada em customizar e preparar os primeiros Porsche 911 (1963). Eles pegam esse modelo com design mais antigo, aproveitam a estrutura básica e modernizam tudo. São carros extremamente caros, que às vezes custam mais do que uma Porsche nova. Tem fila de espera para fazer carro com essa empresa”.

Imagem representativa de um Porsche 911 modificado pela Singer.

Imagem retirada de: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/empresa-americana-cria-releitura-futurista-do-primeiro-porsche-911-turbo/
Imagem retirada de banco de dados público digital

Por que algumas pessoas gostam de carros tunados?

O mercado de carros tunados e modificações pode até ir bem no Brasil, mas o preço alto dos veículos e os tramites que são necessários para realizar uma alteração, podem acabar barrando quem deseja ter algo personalizado, mas não pode investir muito nas mudanças.

Ainda assim, há quem ame o estilo dos carros tunados e frequentemente ocorrem encontros e feiras que reúnem essa comunidade que está espalhada por todo o Brasil.

“É um mercado muito diferente. Agora, no Brasil, um Camaro ou Mustang, mesmo sem modificações, já são carros exclusivos. Isso porque, há pouco recurso no geral, por mais que o país seja rico. Lá fora você tem isso bem caracterizado até mesmo em filmes”, concluiu o empresário.