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Veja a avaliação completa que nós fizemos com o C4 Cactus Shine turbo. 

A febre global dos SUVs tem levado as montadoras a repensar estratégias e redefinir rumos, a fim de manter suas operações sustentáveis e, é claro, lucrativas.

Algumas marcas tomaram decisões mais radicais: a Ford, por exemplo, acabou com seus carros de passeio nos Estados Unidos e passou a vender apenas SUVs e picapes – o esportivo Mustang foi o único que sobrou.

Até alguns fabricantes que nunca pensaram em ter um SUV em sua linha, como a Ferrari, já lançaram ou vão lançar modelos inéditos voltados ao segmento da moda. 

Falando do mercado brasileiro, as estratégias foram menos ousadas de modo geral, exceto por parte da Citroën, que mantém um único carro de passeio à venda no país desde abril do ano passado.  

Trata-se do C4 Cactus, um SUV compacto lançado em 2018 que chegou a 2022 sem quaisquer novidades. 

detalhe do nome, próximo à janela traseira do C4 Cactus Shine turbo cinza

Mesmo assim, esse modelo tem conseguido se manter relativamente bem nos índices mensais de vendas, superando rivais atualizados recentemente como o Nissan Kicks e o Renault Duster. 

Nossos parceiros do Volta Rápida receberam um exemplar da versão Shine Pack THP, a mais cara da linha, para avaliar por duas semanas e ver se o pequeno francês ainda vale a pena diante da concorrência atual. Veja agora: 

Quando o C4 Cactus foi lançado, o cenário dos SUVs compactos no Brasil era bem diferente. 

Alguns rivais ainda não existiam e, dos que já estavam no páreo, pouquíssimos ofereciam motor turbo e/ou alguns dos itens tecnológicos que o francês trouxe. 

Acontece que muita coisa mudou nesse período e, com isso, o pequeno utilitário foi perdendo espaço e relevância, principalmente pela falta de novidades tecnológicas, visuais e mecânicas.

Atualmente, ele é oferecido em cinco versões com preços que vão de R$105.590 da versão de entrada Live aos R$135.590 da versão top Shine Pack THP, a nossa testada.  

As quatro mais baratas trazem motor 1.6 aspirado com câmbio automático de seis velocidades, enquanto a top conta com motor 1.6 turbo e a mesma transmissão automática das demais. 

Desde o começo de sua trajetória, o grande atrativo do C4 Cactus foi justamente o conhecidíssimo motor THP. 

foto do capô aberto mostrando o motor

THP é a sigla de Turbo High Pressure, e esse motor é exclusivo das versões mais caras.

Desenvolvido em parceria com a BMW, o bloco da família Prince foi um dos primeiros representantes do downsizing no Brasil, estreando por aqui no antigo Peugeot 3008, em 2010, e fazendo sua fama pelo alto nível de eficiência energética.

Dotado de quatro cilindros em linha, injeção direta de combustível e quatro válvulas por cilindro, ele passou por mudanças até chegar na versão utilizada no nosso avaliado da vez. 

A versão, no caso, é a flex e a mais potente possível: ele pode gerar até 173 cv e 24,5 kgfm de potência e torque máximos, respectivamente, que são distribuídos entre as rodas dianteiras e controlados por uma caixa automática de seis marchas.  

Pesando apenas 1.214kg, o C4 Cactus vai de 0 a 100km/h em 7,5 segundos e pode atingir velocidade máxima de 211 km/h, números dignos de carros esportivos e que fazem dele a referência em desempenho na categoria até os dias atuais. Quem já não mostra o mesmo nível de modernidade é a plataforma PF1, nascida no final dos anos 90 e utilizada até hoje. 

C4 Cactus Shine turbo se manteve como top de linha ao longo dos anos e teve seu preço reajustado constantemente. 

Apesar disso, não recebeu absolutamente nenhuma novidade, na verdade, chegou a perder alguns itens.  

A lista de equipamentos de série contempla:  
  • Controles de tração e estabilidade; 
  • Central multimídia com tela de 7 polegadas e espelhamento para smartphones via cabo; 
  • Câmera de ré; 
  • Ar-condicionado automático; 
  • Painel de instrumentos digital monocromático; 
  • Volante multifuncional com ajustes de altura e profundidade; 
  • Piloto automático; 
  • Faróis de neblina; 
  • Rodas de liga leve aro 17, entre outros. 

Alguns equipamentos são exclusivos da Shine Pack como os seis airbags, as alertas de saída de faixa e de colisão com frenagem automática de emergência e o sistema Grip Control, uma espécie de seletor de modos de condução que altera o comportamento do carro para melhorar a direção em pisos mais difíceis.  

foto do painel e do volante

A parte ruim é que o C4 Cactus Shine turbo fica devendo em coisas muito elementares para seu preço. 

Não há sensores dianteiros ou traseiros de estacionamento, rebatimento elétrico dos retrovisores, nenhum item de conveniência para os passageiros de trás (tomada 12v, porta USB ou saídas de ar), entre outros furos.

Sobre as perdas, o SUV compacto perdeu o retrovisor fotocrômico e a função de luz de conversão para os faróis de neblina. 

Foram mais de 700km percorridos ao longo das duas semanas com o C4 Cactus Shine turbo e, como você pode imaginar, o que mais chama atenção no francês é seu comportamento geral e seu porte.  

O primeiro contato causa certo espanto pelo tamanho diminuto de um carro anunciado como “SUV” – o C4 Cactus lembra rivais como o Volkswagen Nivus e o Fiat Pulse.

Baixinho e curto, o modelo mais parece um hatch do que um utilitário e isso também é sentido ao se entrar nele. Com janelas estreitas e posição baixa de dirigir, o Citroën não passa nenhuma sensação de SUV e pode frustrar aos consumidores que sonham com um carro desse segmento. 

Foto da lateral

Para mudar a primeira impressão, basta dar a partida e percorrer os primeiros quilômetros. O C4 Cactus deixa claro que foi pensado para agradar aos que dirigem por prazer e não apenas por obrigação.

O pequeno 1.6 turbinado pode entregar todo seu torque já aos 1.400rpm, o que se traduz em uma condução extremamente ágil e esperta o tempo inteiro.  

O câmbio é fabricado pela japonesa Aisin e, além das seis marchas, possibilita trocas manuais na alavanca e conta com modos Sport (que estica mais as marchas) e Eco (que troca as marchas mais cedo), trabalhando com suavidade e rapidez. Só sentimos falta dos paddle-shifters atrás do volante que cairiam como uma luva em um carro com essa motorização. 

Além do desempenho, o que também se mostrou muito interessante foi o consumo de combustível. 

Rodando apenas com etanol, ar-condicionado ligado na maior parte do tempo e alternando entre uma e três pessoas a bordo, nossa média geral foi de 12,4 km/l, número bem melhor que o de vários carros com desempenho inferior e que mostra que a conversão para flex não afetou sua engenharia de primeira linha. 

Por fim, o conjunto de suspensão mostrou um equilíbrio satisfatório entre firmeza e conforto, embora acabe caindo mais para a firmeza. Os defeitos da pista são percebidos e sentidos, mas há um bom filtro no meio do caminho que evita batidas secas ou solavancos mais agressivos.  

A boa altura do solo também o deixa apto a passar por ruas mais esburacadas sem raspar ou bater. A versão Shine Pack merecia um sistema independente no eixo traseiro como exclusividade dela, mas o famoso (e mais barato) eixo de torção cumpre seu papel. 

Lembra que falamos sobre a impressão de hatch? Os ocupantes da segunda fileira de bancos também acabam se sentindo em um. 

O espaço interno do C4 Cactus é mal aproveitado. Embora o entre-eixos de 2,60 m seja bom, não há espaço suficiente para levar quatro adultos altos com conforto, principalmente se os ocupantes tiverem mais de 1,80m.

Apesar disso, os bancos em couro acomodam com decência. O porta-malas de apenas 320 litros também é bastante diminuto e se junta ao do Renegade para figurar entre os menores da categoria. 

Outras coisas que incomodam na cabine do C4 Cactus são a ausência de alças de teto, dos ajustes de altura dos cintos dianteiros e, pasmem, da mescla incoerente de luzes de cortesia feita por LEDs na dianteira e por lâmpada incandescente na traseira, passando a incômoda sensação de corte desnecessário de custos.  

O acabamento, por sua vez, é majoritariamente em plástico rígido, trazendo pequenas porções de tecido nas quatro portas e um aplique tipo emborrachado na região que liga os difusores de ar-condicionado. 

Foto dos bancos e do interior do veículo

Falando do pacote tecnológico, era um dos pontos fortes do C4 Cactus na época de seu lançamento, mas hoje se mostra defasado e abaixo do que a concorrência já oferece.  

Elementos como o painel de instrumentos totalmente digital e monocromático ou a ausência de comandos dedicados de ar-condicionado, que foram integrados ao multimídia, não chegam a incomodar e funcionam muito bem, mas seus recursos são limitados e não combinam com um veículo do preço do C4 Cactus. 

O painel de instrumentos, por exemplo, não traz marcador de temperatura do líquido de arrefecimento do motor, apenas um ícone em LED vermelho que se acenderá no caso de superaquecimento do sistema.  

A central multimídia sofre de um problema parecido: sua tela de 7 polegadas funciona com fluidez e sem bugs, mas é pequena para os padrões atuais e não traz quaisquer recursos de conectividade avançada.

O espelhamento por smartphones, por exemplo, precisa ser feito via cabo e só há uma porta USB em toda a cabine. Também não há navegação por GPS nativa, apenas via aplicativo do próprio celular. 

No final das contas, o C4 Cactus Shine turbo mostrou que continua em perfeitas condições de manter seu posto como um dos SUVs compactos mais rápidos, se não o mais rápido, do mercado brasileiro.  

Os bons números do motor aliados ao trabalho eficiente do câmbio e a leveza do conjunto fazem com que praticamente todos os rivais fiquem para trás quando confrontados diretamente com o pequeno utilitário francês.  

O estilo visual também envelheceu bem e, mesmo após quase quatro anos de seu lançamento, ainda deixam o C4 Cactus atraente. 

O grande problema é que estamos falando de um carro que, para muitos, é o principal e/ou único da casa e pertencente a uma categoria pensada para famílias. Olhando desse ângulo, o C4 Cactus já começa a se mostrar defasado e carente de novidades significativas.  

Assim como os concorrentes aprenderam a entregar mais desempenho com o C4 Cactus Shine turbo, chegou a hora dele aprender com seus rivais a agradar nos demais aspectos, pois tudo indica que ele continuará sendo o carro-chefe das vendas da marca por mais algum tempo e, sendo assim, não basta ter um ótimo conjunto mecânico. 

Foto da traseira do C4 Cactus Shine turbo

Principais concorrentes diretos 

Fiat Pulse 

Chevrolet Tracker 

Volkswagen Nivus 

Renault Duster 

CAOA Chery Tiggo 2 

Peugeot 2008 

Volkswagen T-Cross 

Renault Captur 

Kia Stonic 

CAOA Chery Tiggo 3X 

Hyundai Creta 

Nissan Kicks 

Jeep Renegade