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Saiba mais detalhes sobre o Peugeot 206 e confira seus pontos fortes e fracos.

O Peugeot 206 foi, sem sombra de dúvidas, o carro mais importante da história da fabricante francesa dentro no mercado brasileiro. Além dele ter sido o primeiro carro da marca a ser fabricado no Brasil (em fevereiro de 2001), o 206 é o veículo da Peugeot que acumula o maior volume de vendas e a maior duração de tempo de sua produção e comercialização no país. De quebra, o modelo foi o responsável por inserir a empresa no então disputado segmento de hatches compactos.

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Então confira o histórico completo para evitar problemas!

Design

A partir dos anos 90, a maioria das montadoras passaram a abandonar gradativamente as tendências de design estilo “quadradão”. No entanto, a Peugeot estava sem ideias época para aderir a esse movimento, principalmente por ter se concentrado, ao longo da década, em realizar leves reestilizações de seus modelos já existentes. Mas em 1998, a montadora francesa se rendeu à pressão imposta pela concorrência no segmento dos compactos, que tinham forte apelo comercial na época, e começou a fabricar o 206.

O principal apelo do Peugeot 206 era ser um produto global e, por isso, seu design precisava ser impactante. Desenhado por Gérard Welter, o modelo rompeu com o passado da montadora e causou repercussão no mercado. Seus faróis em formato de folha faziam uma “cara de mau”, combinada com a abertura do para-choque dianteiro, que conferia uma agressividade incomum no segmento, tornando-se uma marca registrada que logo seria estendida a outros veículos.

De perfil, o 206 também rompia com modelos mais antigos da Peugeot, ao trazer uma linha de cintura ascendente e elementos arredondados, o que também podia ser visto na traseira, com as lanternas de lente totalmente avermelhada e a tampa curta do porta-malas.

Mecânica

O Peugeot 206 chegou ao Brasil equipado com um motor 1.6 aspirado, de quatro cilindros e duas válvulas por cilindro, movido somente a gasolina e capaz de gerar até 90 cv e 14 kgfm. Outras configurações surgiram com o passar do tempo e os bons índices de vendas como, por exemplo, o 1.0 também aspirado de quatro cilindros, que veio da Renault, capaz de gerar até 70 cv e 9,5 kgfm, ambos com transmissão manual de cinco marchas.

Nos anos 2000, vieram outros motores como o 1.4, disponível em duas variantes (uma movida a gasolina e a outra, total flex, que era a mais vendida), além de um outro 1.6 com quatro válvulas por cilindro (ao invés de duas) e que também pode ser encontrado em duas variantes, podendo ser abastecido apenas com gasolina ou também com etanol.

Com potência e torque máximos de 113 cv e 15,8 kgfm, respectivamente, esse 1.6 “atualizado” se mostrou mais eficiente do que o 1.6 original e foi o melhor motor já utilizado no 206 nacional. Por algum tempo, ele chegou a ser oferecido com transmissão automática de quatro marchas, a mesma caixa AL4 presente em modelos da Peugeot-Citroën mais caros.

Interior

Assim como o design externo, o interior do carro foi feito com foco na modernidade que os elementos arredondados transmitiam na época, além de indicar a nova direção de design que a marca passaria a adotar a partir dali. Fazendo um paralelo com o 205, uma espécie de antecessor indireto, o 206 trouxe uma nova e mais moderna interpretação da cabine do modelo mais antigo, alterando a disposição de alguns elementos e acrescentando outros inéditos.

O cluster de instrumentos, por exemplo, manteve a disposição e os elementos da peça presente no 205, mas ocupando bem menos espaço e com grafismos mais modernos para otimizar a cabine do 206. Do mesmo modo, elementos como os comandos de ventilação, ar-condicionado e rádio foram atualizados e posicionados mais próximo do motorista, facilitando o manuseio. As colunas ficaram mais volumosas, melhorando tanto a sensação térmica quanto a acústica. Mas nem tudo foi uma evolução: o acabamento do 206 traz uma quantidade maior de peças plásticas em relação ao 205.

Tecnologia

Embora o 206 tenha disputado no segmento dos compactos de entrada, não é exagero dizer que ele foi o precursor do que conhecemos hoje por “hatch compacto premium”. O modelo fez a fama dos franceses de oferecer o mesmo ou mais do que os concorrentes nacionais, sem custar mais caro por isso, o que angariou fãs até os tempos atuais.

O carro traz suspensão independente na traseira (algo raríssimo até hoje entre modelos compactos) e foi um dos primeiros do segmento a oferecer transmissão automática tradicional. Além disso, a Peugeot ofereceu algumas variações de carroceria para o 206, que pode ser encontrado em modelo de perua, chamado de 206sw (stage wagon) e até um exótico conversível de capota, chamado de 206cc (coupé-convertible)

As versões mais equipadas das três carrocerias contava com:

  • Freios a disco nas quatro rodas;
  • Computador de bordo multifuncional;
  • Ar-condicionado digital;
  • Piloto automático;
  • Rádio com leitor de CD e MP3;
  • Sensores crepusculares e de chuva

Principais pontos fortes

Design:

O desenho do Peugeot 206 é tão marcante que, além de ter ditado as linhas dos modelos seguintes por praticamente toda a década de 2000, ainda é atraente nos dias atuais. O design envelheceu muito bem e o compacto francês consegue passar modernidade em pleno 2022.

Dirigibilidade:

Mesmo que tenha sido pensado para ser um compacto de entrada, o 206 é surpreendentemente bom de dirigir. O compacto se comporta muito bem mesmo quando é mais exigido, mostrando a competência do projeto desenvolvido no mercado europeu e se destacando frente aos rivais da época.

Manutenção:

O 206 ajudou a quebrar o velho preconceito sobre a manutenção e durabilidade dos carros franceses. Além de ser possível ver exemplares mais antigos circulando normalmente até hoje, o fato de ter vendido tanto e durante tanto tempo, facilitou a vida de quem deseja realizar as manutenções corretivas e/ou preventivas do compacto.

Principais pontos fracos

Espaço interno:

Criticar negativamente o espaço interno de carros compactos é, quase sempre, chover no molhado. Mas o 206 é espantosamente apertado, mesmo diante dos rivais de porte parecido. Além das medidas modestas, de modo geral, a cabine do pequeno francês não foi pensada tendo o espaço interno como prioridade, o que resultou em um ambiente que não aproveita bem o espaço disponível e faz com que o carro seja indicado no máximo para casais com filhos pequenos.

Suspensão:

O 206 é de uma época em que os carros franceses ainda não eram feitos para lidar com o péssimo asfalto brasileiro com eficiência. A suspensão do compacto sofre ao passar pelos muitos buracos e defeitos da pista, e pede atenção redobrada na hora da compra. Uma inspeção na parte inferior do carro também é recomendada.

Câmbio automático:

Evite os Peugeot 206 com câmbio automático. Como já relatamos em outros modelos publicados aqui na Olho No Carro, a caixa AL4 é famosa pelos inúmeros defeitos que pode apresentar e pelo funcionamento pouco eficiente.

Principais concorrentes diretos

Volkswagen Gol

Ford Fiesta

Fiat Palio

Citroën C3

Chevrolet Corsa

Renault Clio