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Saiba tudo sobre o Fiat Punto G3 e conheça os principais pontos fortes e fracos desse modelo. 

A trajetória do Fiat Punto no mercado brasileiro foi bem diferente da que o modelo viveu no mercado europeu, lugar de sua origem. Por lá, o compacto nasceu no começo da década de 90, como um substituto do bem-sucedido Fiat Uno e teve três gerações. Por aqui, ele chegou apenas em 2007, dois anos após a apresentação da terceira e última geração, com o objetivo de ser uma alternativa mais sofisticada aos irmãos Uno e Palio para enfrentar os hatches compactos mais recheados como Citroën C3, Volkswagen Polo, entre outros.  

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Design 

Para o Punto G3, a Fiat contou com ninguém menos que Giorgetto Giugiaro, o renomado designer responsável pelas linhas de inúmeros modelos icônicos da história do automóvel, dentre eles, o Fiat Uno de primeira geração.  

Tal esforço da marca não foi à toa: diferente dos antecessores, a ideia do Fiat Punto G3 era ser um carro global, comercializado em vários países onde, na maioria deles, seria um produto inédito, assim como foi com o Brasil.

Giugiaro desenhou o novo compacto com linhas elegantes e esportivas, respeitando as linhas tradicionais do Punto, mas dando toques de modernidade. Tudo isso fez dele um dos compactos mais bonitos e elogiados de seu tempo. 

O ângulo mais marcante do Punto de terceira geração é, sem dúvidas, a dianteira. O pequeno italiano remete aos modelos esportivos da Maserati da época, com faróis nos mesmos modelos, compostos por refletor único bifocal, independentemente da versão, e um para-choque com discretas aberturas para arrefecimento no meio e para os faróis de neblina na parte inferior.  

Na lateral, o Punto ganhou volume e robustez com para-lamas bem pronunciados, mas sem perder a característica linha de cintura ascendente até a janela traseira.

Por fim, outro traço característico do Punto, que foi mantido por Giugiaro, é o par de lanternas traseiras verticais que dão margem ao vidro da tampa do porta-malas, mas elas ficaram menores do que nos antecessores, para deixar o desenho mais limpo. O suporte de placa se manteve no para-choque, deixando a tampa do porta-malas apenas com o nome Punto estilizado com a letra P, assemelhando-se a um piloto sentado e pronto para dirigir. 

Mecânica 

A terceira geração do Punto foi desenvolvida por uma parceria entre a Fiat e a Opel, na época em que a Opel ainda estava sob o comando do grupo General Motors. Essa parceria resultou em carros variados para ambas as marcas e na plataforma SCCS, que possui uma gama diversificada de variantes voltada para diversas aplicações. 

As mais conhecidas envolvem a Small Wide, utilizada pelo trio Renegade, Compass e Toro, além da própria Small que é usada pelo Alfa Romeo MiTo, Opel Adam, quarta e quinta gerações do Corsa, o próprio Punto G3, entre outros.  

Em sua fase inicial no Brasil, o Punto utilizou os conhecidos motores 1.4 Fire da própria Fiat e o 1.8 da “Família I”, da GM. Posteriormente, adotou os motores da linha E.torQ. 

Começando pela primeira fase, tanto o 1.4 Fire quanto o 1.8 Família I são aspirados de quatro cilindros e podem receber gasolina ou etanol. O 1.4 gera até 86 cv e 12,5 kgfm enquanto o 1.8 atinge até 115 cv e 18,5 kgfm.  

Ainda na primeira fase, chegou ao mercado a versão esportiva T-Jet, que era a única a trazer o motor 1.4 turbinado de quatro cilindros. Esse motor chega a 152 cv e 21,1 kgfm de potência e torque máximos.

Na segunda fase, o motor 1.4 Fire recebeu atualizações para se chamar Fire EVO, enquanto o 1.8 Família I foi trocado pelos 1.6 e 1.8 da família E.torQ, ambos aspirados Flex.

O 1.6 gera até 117 cv e 16,8 kgfm enquanto o 1.8 chega a 132 cv e 18,9 kgfm. A transmissão padrão em todos os casos era a manual de cinco marchas, mas houve a opção do automatizado Dualogic por um breve período, também de cinco marchas. 

Interior 

O Punto G3 foi o carro que ditou, por muitos anos, a linguagem que a Fiat passaria a usar nos interiores de seus carros. Quando se fala em “linguagem” de design, compreende-se que todos os elementos do interior estão envolvidos: padrão dos tecidos, tipos de revestimentos plásticos, posicionamento dos detalhes, acabamento, iluminação, caracteres, ou seja, absolutamente tudo que cria a ambientação da cabine dos carros. Sendo um modelo nascido na Europa, o Punto foi o produto perfeito para a Fiat se espelhar na hora de projetar os interiores dos carros que viriam após ele. 

Começando pelo painel de instrumentos, o layout tradicional traz quatro mostradores analógicos com uma pequena tela ao centro que concentra informações variadas e o mais importante: sem espaços inúteis como os que foram usados como lembrete de cinto de segurança (ao invés do conta-giros) em versões mais básicas do Uno e do Palio.

O console central trouxe saídas horizontais de ar e um rádio integrado ao conjunto, algo comum em carros mais caros. A iluminação laranja é complementada por detalhes em prata ou em preto brilhante, dependendo da versão, dando um toque mais esportivo do que elegante. 

Tecnologia 

Um dos pontos altos do Fiat Punto G3 é a tecnologia embarcada. Apesar de contar com algumas características típicas de carros de baixo custo, o hatch conseguiu agradar e até surpreender aos mais exigentes com sua lista de equipamentos que, dependendo da versão, pode trazer itens raros ou até inexistentes nos rivais.

O grande destaque do compacto italiano foi a estreia do sistema Blue&Me, um componente desenvolvido em parceria com a Microsoft. Ele traz uma série de funções de comodidade e entretenimento para o motorista, além do suporte a comandos por voz. Dotado de conexão Bluetooth e suporte a arquivos MP3, o Blue&Me foi uma versão rudimentar dos sofisticados sistemas de conectividade que proliferam nos carros de hoje. 

O grande referencial a família Punto no quesito tecnologia foi, sem dúvidas, a versão T-Jet. Sendo a configuração mais cara de todas, também é a que pode trazer mais itens de série e/ou opcional. Sua lista contempla coisas como:  

  • Freios ABS e Airbags duplos frontais (isso já em 2009, ano em que sequer havia previsão de obrigatoriedade de tais itens); 
  • Direção hidráulica; 
  • Sistema de som de alta qualidade com subwoofer; 
  • Trio elétrico; 
  • Piloto automático; 
  • Sensores traseiros de estacionamento, entre outros.  

Como opcionais é possível ter airbags laterais e de cortina, teto solar panorâmico, ar-condicionado digital, sensores crepuscular e de chuva, entre outros. Isso fazia do Punto um dos carros mais completos da categoria. 

Saiba mais sobre o Fiat Punto neste vídeo:

Principais pontos fortes 

Estilo:  

É difícil encontrar quem não aprecie o estilo visual do Punto. Mesmo nos dias atuais, o hatch ainda faz boa vista e suas linhas envelheceram muito bem, chegando ao ponto de ser difícil dizer que se trata de um carro desenhado há mais de dez anos. 

T-Jet:  

Em um mercado tão carente de carros verdadeiramente esportivos, o T-Jet foi um sopro de alívio e conquistou fãs em todo o Brasil. É um modelo especial, cultuado e querido pelos entusiastas até hoje. 

Manutenção:  

Com exceção da versão de alto desempenho e do câmbio Dualogic, o Punto é, de modo geral, um carro tranquilo de se cuidar. Seus motores estiveram em inúmeros outros carros e, além disso, o modelo teve bons índices de vendas para um carro de sua categoria, o que facilita a tarefa de se achar determinadas peças para os cuidados rotineiros. 

Principais pontos fracos 

Conectividade:  

O sistema Blue&Me foi inovador na época. Hoje, é obsoleto e nem um pouco intuitivo de ser operado, além de trazer inúmeras limitações que fazem com que muitos donos se motivem a trocar o rádio original por um paralelo, quase sempre sem integração com os comandos originais. 

Altura:  

Além de ser um carro baixo, a dianteira “bicuda” do Punto faz com que o hatch não encare rampas e quebra-molas com tanta desenvoltura. Tenha isso em mente antes de fechar negócio e nunca deixe de observar toda a parte inferior do veículo em um elevador antes da compra. Ela pode denunciar como o carro foi cuidado/dirigido ao longo de sua vida pregressa. 

T-Jet:  

O que a versão T-Jet tem de interessante, também tem de possível dor de cabeça. Esportivos costumam ser “esmerilhados” sem dó pelos antigos donos, então, caso esteja de olho em um, tenha cuidado e atenção triplicados. Faça uma inspeção cuidadosa e, de preferência, acompanhado por um mecânico de confiança, pois o Punto T-Jet não terá pena do seu bolso na hora de realizar alguma manutenção corretiva ou até mesmo preventiva. 

Principais concorrentes 

Ford Fiesta 

Volkswagen Polo 

Peugeot 207 

Citroën C3 

Peugeot 208 

Hyundai HB20 

Chevrolet Astra