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Testamos o Jeep Compass 2022 por uma semana. Veja o que nós achamos!

Em time que está ganhando não se mexe, certo? Não para o mercado automotivo. Mesmo diante das muitas interrupções na produção global de automóveis, as novidades não pararam em 2021.

No caso do grupo Stellantis, esse foi um período de extrema importância por inúmeras razões.

Uma das principais foi o lançamento da família de motores GSE/Firefly turbinados, criada para substituir os defasados motores E.torQ e Tigershark. Esses motores equipavam os produtos mais caros das marcas “mainstream” do conglomerado. 

Essa renovação mecânica começou no mês de abril com o lançamento do Fiat Toro reestilizado para 2022 e que já avaliamos há alguns meses na versão Volcano. Nesse caso, o inédito 1.3 turbo flex entrou no lugar do antigo 1.8 aspirado, que equipava a picape nas versões mais baratas.  

Logo em seguida foi a vez do Jeep Compass, também em seu primeiro facelift para 2022.

O novo motor deu adeus ao 2.0 aspirado da linha Tigershark. Para encerrar 2021, a Stellantis cedeu um exemplar da versão Longitude equipada com o novo propulsor para avaliação dos nossos parceiros do Volta Rápida. 

Mas o Compass atualizado para 2022 não trouxe apenas um novo motor.  

Falando das mudanças de fora para dentro, começaremos pela dianteira do Jeep Compass 2022, que concentra 99% das novidades: o para-choque redesenhado aumentou o ângulo de entrada em comparação ao anterior e ficou não apenas mais leve, mas também mais simples. Isso porque a peça antiga abrigava, além dos faróis de neblina, a seção de luzes que conjugava DRL (luz diurna) e de seta, ambas integradas aos faróis principais no modelo facelift. 

Falando em faróis, agora todos os Compass trazem conjunto ótico frontal em LEDs de série para luz baixa, alta, de neblina, de posição e diurna. Apenas as setas continuam por lâmpadas comuns.

Feitos por refletores, os novos faróis substituem os antigos projetores (halógenos nas versões mais baratas, bixenon nas mais caras) e são mais eficientes na condução noturna, além da luz branca conferir um ar mais sofisticado ao utilitário.

Nas laterais, as rodas aro 18 da versão Longitude também são novas e, na traseira, as lanternas foram discretamente redesenhadas, mantendo a luz de posição em LED e as demais por lâmpada convencional. 

Se por fora o Compass mudou pouco, por dentro, parece outro carro.  

Não sobrou praticamente nada da versão pré-facelift e o objetivo dessa mudança drástica foi resolver a aparência demasiadamente simples do interior do SUV, embora fosse bem-acabado.

Cluster de instrumentos, painel, console central, forrações de portas, multimídia, volante… Tudo é novo Jeep Compass 2022 e remete ao Commander, seu irmão mais caro de sete lugares. 

O novo volante traz a pegada toda em couro e um miolo mais elegante, bem como os novos comandos nas hastes horizontais e os novos paddle-shifters.

O novo painel de instrumentos também ficou mais elegante, com um layout mais limpo e completo de informações. É uma pena que o cluster 100% digital só existe a partir da versão Limited. Ao menos, a versão Longitude recebeu a nova central multimídia com tela de 10,1 polegadas, GPS nativo e integração sem fio com smartphones Apple e Android. 

A Longitude também traz bancos e parte das portas em couro na cor preta de série, mas o cliente pode optar pelo acabamento claro que a marca chama de Steel Gray por R$1.600 pagos à parte, deixando a cabine com aspecto de carro premium.

Falando em ambientação “premium”, a Jeep adotou detalhes prateados que imitam alumínio nas maçanetas das quatro portas, apliques do volante e no grande friso que adorna todo o painel horizontalmente, passando pelas saídas de ar das extremidades da peça. 

Enquanto toda a porção superior do painel continua composta por material do tipo emborrachado, todo o resto é feito por diferentes tipos e texturas de plástico.

Por fim, há pequenos pontos de LED para iluminação ambiente indireta nas maçanetas dianteiras e no centro dos botões de teto para luzes de cortesia.

É uma pena que a marca tenha deixado as luzes internas por lâmpada comum, o que não combina com o preço/categoria do Compass, principalmente diante de modelos de segmento inferior, que já trazem todo o interior em LEDs. Pode ser um mero detalhe para alguns, mas quanto mais caro um carro, mais os detalhes fazem a diferença. 

Além da cabine renovada, a grande estrela do Compass 2022 se abriga debaixo do capô.  

Trata-se do novo 1.3 turbo flex que a Jeep chama de T270, sendo o T uma menção ao turbocompressor e o 270 referindo-se ao torque máximo em Newton-metro – 270 Nm, o que dá 27,5 kgfm quando convertido para a medida mais comum no Brasil.

Esse motor gera até 185 cv de potência máxima com etanol e leva o SUV de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos, número bem melhor que os mais de 10 segundos que o antigo 2.0 aspirado levava na mesma prova. 

O novo 1.3 entrega maiores picos de potência e torque do que o finado Tigershark e, além disso, esse torque se manifesta bem mais cedo.

São 27,5 kgfm disponíveis desde os 1.750 rpm contra 20,5 kgfm entregues somente a partir dos 4.000 rpm no motor antigo. Do mesmo modo, os 185 cv de potência máxima se manifestam a 5.750 rpm contra os 166 cv do Tigershark a 6.200 rpm. Traduzindo os números, o novo motor é muito mais disposto e já entrega todo seu potencial bem mais cedo do que o antigo, deixando a condução mais segura, prazerosa e econômica. 

Vale lembrar que o novo 1.3 trabalha com a conhecida transmissão automática de seis marchas fornecida pela Aisin e vem somente com tração dianteira, algo que pode mudar com o lançamento do Renegade 2023.

Para o SUV compacto, a Jeep já confirmou que fará a união do novo motor com o conhecido sistema de tração integral seletiva e o câmbio automático de nove marchas, pois o 2.0 turbodiesel sairá de cena para ser exclusividade dos irmãos mais caros.

Embora o Compass 2022 continue oferecendo motorização diesel como sempre, pode ser que a Jeep lance futuras configurações 1.3 com tração integral, uma vez que o novo motor é fabricado aqui e paga menos imposto por conta da menor capacidade, diferente do 2.0 turbodiesel que é maior e vem importado da Itália. 

O fato é que, com ou sem tração integral, o Compass equipado com o motor 1.3 turbo ficou muito bom.  

Após mais de 1.000 km rodados, nossa média de consumo com gasolina e etanol misturados, de duas a quatro pessoas a bordo e uso alternado de ar-condicionado ficou na casa dos 11,2 km/l, um bom número para um carro de quase 1.600 kg, mas pior do que as médias possíveis com seus rivais diretos como o Toyota Corolla Cross com motor 2.0 aspirado e Volkswagen Taos com motor 1.4 turbo. Ainda é uma média bem melhor do que a possível com o antigo Tigershark, mas um motor tão novo deveria ser mais econômico. 

A lista de equipamentos da versão Longitude não sofreu grandes alterações, apenas com novidades pontuais para reforçar a relação custo x benefício, que sempre foi um de seus principais argumentos de venda.  

De série, a Longitude traz itens como:  
  • Faróis Full LED com ajuste elétrico de altura; 
  • Faróis de neblina em LED; 
  • Ar-condicionado de duas zonas com saídas traseiras; 
  • Sensores traseiros de estacionamento com câmera de ré; 
  • Sensores crepuscular e de chuva; 
  • Volante multifuncional com ajustes de altura e profundidade; 
  • Central multimídia com GPS nativo e espelhamento sem fio para smartphones, entre muitos outros. 
Nossa unidade testada conta ainda com itens que, atualmente, só podem ser adquiridos através do Pack 80 Anos, exclusivo da versão Longitude, ao preço de R$8.000. São eles:  
  • Sensores dianteiros de estacionamento; 
  • Carregador de smartphones por indução; 
  • Sistema de som da Beats de 506w com 8 alto-falantes + subwoofer; 
  • Assistente de estacionamento Park Assist; 
  • Rebatimento elétrico dos retrovisores; 
  • Partida remota na chave.  

Por fim, nosso carro testado contempla o belo teto solar panorâmico Command View com acionamento totalmente elétrico. Ele custava R$ 8.900 no passado, mas agora está disponível como opcional para a versão Limited. 

Comparado a seus rivais diretos em preço e proposta, o Compass Longitude se mostra bem mais equipado do que o Corolla Cross na versão XRE, por exemplo, e nivelado com o Taos na versão Comfortline, se posicionando exatamente entre eles na precificação.  

Em porte, o americano se sobressai em praticamente tudo diante do japonês, mas fica atrás do alemão em pontos como entre-eixos, porta-malas e comprimento total. Seu motor é o mais potente e “torcudo” do trio, mas o conjunto também é o mais pesado de todos com, em média, mais de 100kg de diferença diante dos adversários. 

Falando de comportamento, novamente o Compass se posiciona exatamente entre seus rivais: não é excessivamente pacato como o Corolla Cross e nem entrega a dinâmica do Taos, mas consegue equilibrar ambos, se mostrando um carro gostoso de guiar em qualquer situação – seja no anda-e-para dos centros urbanos ou nas retas de velocidades mais altas das rodovias.

O facelift não afetou os principais pontos fortes do Compass como a boa desenvoltura da suspensão em pisos ruins, o espaço interno folgado para quatro adultos, o silêncio a bordo e a funcionalidade dos equipamentos. 

Em suma, a Jeep sabia que precisava, ao mesmo tempo, mexer no Compass (que já não via mudanças desde seu lançamento em 2016), mas manter os ingredientes que fizeram do SUV médio um sucesso absoluto.  

A marca buscou ser cautelosa nas mudanças e ouviu não só os clientes como a imprensa especializada. O resultado? O Compass segue em sua folgada liderança na categoria, vendendo mais do que todos os concorrentes juntos e com indícios de que continuará assim por um bom tempo. 

As pequenas falhas que ofuscavam parte do brilho no convívio diário com o utilitário foram corrigidas e, além disso, o novo motor trouxe nova vida a ele, dando mais liberdade de escolha para quem não queria (ou não podia) pagar pelo caro motor movido a diesel, mas queria usufruir da experiência Jeep com um modelo de bom comportamento dinâmico e níveis aceitáveis de consumo de combustível.

Com isso, a Jeep nos lembra que em time que está ganhando se mexe sim, mas com sabedoria e planejamento. 

Saiba mais sobre o Jeep Compass 2022 neste vídeo:

Principais concorrentes diretos:  

Toyota Corolla Cross 

Volkswagen Taos 

Mitsubishi Eclipse Cross 

Kia Sportage 

Suzuki S-Cross