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Fizemos um teste de uma semana com Bronco Sport Wildtrak. Veja a nossa avaliação completa agora!  

Os SUVs foram criados para quem precisa sair do asfalto e vencer qualquer obstáculo, mas com o tempo e a mudança de gosto e de rotina dos consumidores, esses modelos foram se “urbanizando”.  

Atualmente, SUV é sinônimo de carro confortável, para levar toda a família em suas atividades cotidianas, mas com pouca ou nenhuma aptidão para o fora-de-estrada salvo algumas exceções. 

Uma dessas exceções desembarcou recentemente no Brasil e é um novato em território nacional, embora se trate de um nome muito antigo e famoso para os norte-americanos: 
Imagem Fiat Bronco Sport traseira

É o Bronco Sport, um modelo de porte médio, que é inédito na gama da montadora e derivado indireto do Bronco de sexta geração. Esse modelo foi lançado após um hiato de 25 anos, desde a última geração fabricada.  

Importado do México, o Bronco Sport é oferecido no Brasil em versão única chamada Wildtrak. Essa variante é oriunda da Badlands vendida nos EUA como a top de linha, e não tem opcionais. 

Seu preço é R$ 264.690 e já inclui todas as opções de pintura, como a perolizada Vermelho Zadar, do nosso exemplar de teste.  

Diferente do modelo vendido lá fora, o Bronco Sport brasileiro vem com o teto sempre em preto brilhante e o acabamento interno mescla tons de marrom e bronze, com elementos em cinza e preto. 

Apesar da forte semelhança visual, o Bronco Sport não é um derivado direto do Bronco convencional por conta do tipo de construção. Enquanto o Bronco é um SUV grande montado no tradicional esquema de carroceria sobre chassi, o Bronco Sport é um SUV médio, que aposta no monobloco, sendo montado sobre a plataforma C2, que vem de modelos como o Escape e a atual geração do Focus.  

O Bronco foi pensado para o fora-de-estrada severo e também se sai bem no asfalto. Já o Bronco Sport é o oposto: foi pensado para o asfalto, mas também se sai bem no fora-de-estrada. 

Para lançar o Bronco Sport no mercado brasileiro, a Ford escolheu o conjunto mecânico mais forte que estava disponível. Ele é composto por um motor 2.0 turbinado da família EcoBoost (que tem um alto consumo de combustível), câmbio automático de oito marchas e sistema de tração integral do tipo AWD, atuante sob demanda.  

Esse motor é o mesmo presente em modelos da aliança Jaguar Land Rover e também equipa o finado Fusion. No Bronco Sport, ele é capaz de gerar até 240 cv e 38 kgfm, números que garantem um 0 a 100km/h na casa dos 8 segundos e velocidade máxima de 180 km/h. 

Com freios a disco e suspensão independente nas quatro rodas, a mecânica do Bronco Sport chama atenção pelo refinamento. Esse modelo possui um complexo sistema de tração integral, que é mais sofisticado do que os presentes na maioria dos rivais.

Há acoplamento de embreagem dupla na traseira, bloqueio eletrônico do diferencial traseiro, distribuição de torque com até 70% de envio de força para o eixo traseiro e arrefecimento próprio para o conjunto. 

Imagem Fiat Bronco lateral

Outro ponto no qual o Bronco Sport se sai bem é na lista de itens de série.  

Dentre os principais equipamentos destacamos:  

  • Ar-condicionado digital de duas zonas com saídas traseiras; 
  • Bancos dianteiros com aquecimento; 
  • Teto solar panorâmico; 
  • Som premium assinado pela Bang & Olufsen; 
  • Faróis Full LED; 
  • Banco elétrico para o motorista; 
  • Rodas aro 17 com pneus de uso misto; 
  • Carregador de smartphones por indução; 
  • Chave presencial com partida remota; 
  • Sensores traseiros de estacionamento com câmeras na dianteira e traseira. 
Há ainda uma série de sistemas semiautônomos como:
  • Piloto automático adaptativo;
  • Assistente de permanência em faixa com correção de direção;
  • Frenagem autônoma de emergência;
  • Farol alto automático;
  • Monitoramento de tráfego traseiro;
  • Leitor de placas de trânsito;
  • Assistente de manobras evasivas.  
Imagem Fiat Bronco Sport painel
Imagem Fiat Bronco painel

Embora seja uma lista muito boa, não é infalível: não há sensores dianteiros de estacionamento, nem rebatimento elétrico para os retrovisores. São faltas difíceis de entender em um carro de mais de R$ 250 mil e que fazem falta durante as manobras, devido ao porte do modelo. 

Logo no primeiro contato com o Bronco Sport, o que mais chama atenção é sua altura. 

Medindo 1,81m, ele é consideravelmente mais alto do que a grande parte dos carros nas ruas e sabe impor sua presença, embora seu vão livre do solo (de 22cm) e suas demais medidas estejam na média da categoria.  

Para efeitos de comparação, ele é 3 cm mais curto, 7 cm mais largo e 16 cm mais alto do que um Jeep Compass, o modelo que mais se aproxima do Bronco Sport em preço e proposta. 

A sensação de altura é ainda maior quando se está dentro do SUV, pois o capô reto e ligeiramente mais alto do que a linha de cintura se prolonga pela dianteira do carro. Isso faz com que o motorista não tenha a real noção de seu tamanho e dificulta as manobras.

É nessas horas que os sensores dianteiros fazem grande falta, embora haja uma câmera dianteira com lavador próprio. Esse equipamento foi planejado para ajudar no fora-de-estrada, mas também pode ser utilizado para auxiliar nesses momentos. 

Imagem Fiat Bronco Sport frente

Outros pontos que chamam atenção ao volante do Bronco Sport são o silêncio a bordo e a desenvoltura do utilitário.  

Mesmo que se viaje com as janelas abertas, o motor 2.0 é imperceptível em boa parte do tempo e trabalha de forma muito suave. Após mais de 900km percorridos em percurso misto, a média geral de consumo foi de 11,3 km/l, sendo 13 km/l o pico de economia e 9,5km/l o pico de consumo. Esses números são bons para um veículo de 1.718 kg abastecido com gasolina. 

A transmissão de oito velocidades é automática convencional e seu funcionamento ocorre de maneira muito suave, conduzindo o Bronco Sport com esperteza e eficiência. Ao invés de uma alavanca, ela é operada pelo chamado E-Shifter, um seletor giratório que não possui ligação física com a caixa, e essa operação é totalmente eletrônica. Além disso, ele traz um botão M ao centro para ativar trocas manuais, que são feitas pelos paddle-shifters atrás do volante 

Imagem volante Fiat Bronco
O grande destaque do Bronco Sport é o seletor de modos de condução intitulado G.O.A.T. Modes.

Trazendo sete modos diferentes, ele altera diversos parâmetros do carro para deixar a condução mais apropriada em cada circunstância presente. Os parâmetros envolvem peso e resposta da direção, atuação dos controles de tração e estabilidade, resposta do acelerador e câmbio, som do motor e, por último, funcionamento do sistema de tração integral.  Dependendo do modo selecionado, ele ativa a tração integral permanente e desliga os controles de tração e estabilidade sozinho. 

Imagem GOAT Modes

Independentemente de onde você ande, o Bronco Sport se movimenta com conforto e facilidade. A suspensão de curso longo não dá batidas secas, mas, ao mesmo tempo, não filtra tanto as imperfeições da pista, além de mostrar que o SUV não tolera abusos. Dependendo da velocidade que se entra em uma curva, os pneus “cantam” sem cerimônia e a rolagem da carroceria é perceptível, o que também se deve à altura do utilitário.  

Os pneus de uso misto o deixam mais à vontade fora do asfalto e, junto do G.O.A.T. Modes, permitem ao Bronco Sport ir em locais que a maioria dos carros não vão. 

Saiba mais sobre o Bronco Sport Wildtrak neste vídeo:

Ao final dos sete dias com o Bronco Sport, uma coisa fica clara: a vida do novato não será nada fácil no mercado brasileiro!  

Embora ele tenha fortes predicados, a Ford mira em modelos de marcas premium que têm mais prestígio e, portanto, atraem mais interesse do consumidor. Apesar de ser externamente maior do que a média, ele não esbanja espaço interno e isso também joga contra o americano, especialmente do ponto de vista de quem procura um SUV para levar a família com comodidade. 

Dotado de um pacote tecnológico muito bom e um conjunto mecânico eficaz, o Bronco Sport quer ser um bom companheiro para todos os momentos da vida, seja dentro ou fora da estrada.

Resta saber como as últimas decisões da Ford (que optou por não produzir mais carros no Brasil, o que levou ao fechamento de inúmeras concessionárias e despertou desconfiança no consumidor local) e a forte concorrência das marcas premium influenciarão a jornada do utilitário no país. 

Concorrentes diretos 

Mercedes-Benz GLB 

BMW X1 

Audi Q3 

Toyota RAV4 

Jeep Commander 

Toyota SW4 

Mitsubishi Outlander 

Honda CR-V  

Volvo XC40